Tenho sofrido durante anos, por todas as lembranças,
com o peso de minha indeterminação
e a força da desesperança.
Cá pra dentro há quem diga que eu deveria ser decidida
pela decisão de obedecer.
Por outro lado, há quem clame que a liberdade de um homem
é o carma a qual deve padecer.
Por menos tenho morrido, lamentado e murmurado
é o infortúnio do meu fado, o poder em minhas mãos
é sensível a dor do ar - e as feridas
em meus lábios
___Disto não gosto de falar
Essa minha canção tão ardilosa, simples e indelicada
vem de minh'alma mal amada e do peito tentador
são as dores de meu parto, meu triste coração morto
___Tão infame em meus versos e poeta em meus sopros.
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
quarta-feira, 29 de agosto de 2012
' Meu amor
Quando te vejo assim zangado
perco o ar, amor,
dou gargalhadas sozinha.
Penso em teu bico encabulado
e me alegro em tuas desgraças,
sinto prazer por teu escárnio, tua dor
é uma vingança íntima
você morre assim pra mim, amor.
Essa maldade é minha alma
que é tua em sombra e sol
sou em bico tua musa,
tua santa, teu flambol.
Amor...
Minhas mãos te cobrem em palmas
no meu rito desconhecido
no calor do velaneio
Um abraço e te esgano, derramo.
Me esclareço e te beijo.
Meu amor.
perco o ar, amor,
dou gargalhadas sozinha.
Penso em teu bico encabulado
e me alegro em tuas desgraças,
sinto prazer por teu escárnio, tua dor
é uma vingança íntima
você morre assim pra mim, amor.
Essa maldade é minha alma
que é tua em sombra e sol
sou em bico tua musa,
tua santa, teu flambol.
Amor...
Minhas mãos te cobrem em palmas
no meu rito desconhecido
no calor do velaneio
Um abraço e te esgano, derramo.
Me esclareço e te beijo.
Meu amor.
' Estou velha e sei
Dizer que estou velha e sei, seria bom
Mas não é, nem será.
Eu vou dar um jeito de voltar
de ficar escondida no passado
não no meu, no de alguém que
que tenha amado pouco
ou quase nada, desse amor que eu amo
e que a mim não trata.
Dizer que sou criança e sei, seria bom
mas não é, nem será
porque nem sequer há pureza,
beleza ou coisa assim.
Se eu voltar, ainda serei adulta
pequena e bruta, dessas que Chico Buarque canta
se eu voltar porque fui, serei outra
serei insossa.
Sem quase nada que seja bom
Porque mesmo escondida, hei de voltar ferida
E cuidarei de ter rancor.
segunda-feira, 23 de julho de 2012
' Desabafo da madrugada
Vez ou outra aparece em meu facebook a notifiação, ou
melhor, uma lista de aniversariantes – deve acontecer o mesmo em milhões de
face’s. Porém, esse tipo de situação, é a situação que me paralisa, me estanca
me deixa tensa... Assim bem simples: eu não sei o que desejar, eu não sei se
devo desejar algo, eu não entendo em que a minha manifestação pública contribuirá
na vida do aniversariante. As pessoas normalmente não gostam de mim, então
porque gostariam que lhes parabenizasse?! Han?! Seria só o ego?! Meu ou dela?!
Mas e então? Eu me rendo; afinal de contas nem tudo é poesia. O problema não
está nelas, em absoluto. O problema sou eu, eu e meus pequenos significados e
minhas monstras conclusões, eu quase sempre acabo concluindo que “felicidades”
é o melhor que posso desejar (o melhor pra ela porque sou cristã), mas ao mesmo
tempo me sinto imunda por desejar algo em que não acredito, porque quase como
cola, eu grudo a palavra que me destrói e que fecha o ciclo de hostilidade
humana em mim, eu declaro – discretamente: felicidades infinitas. Não, eu não
posso fazer isso! Mas... Normalmente chocaria se dissesse: Você anda mal, mais
próximo da morte, sua vida me interessa e me entristece também. Olha, o que de fato posso lhe desejar
e ainda com peso no coração, seria “segundos de alegria”. O que me deixaria feliz por um instante, porque é assim que acontece assim eu desejaria. Desculpe, as vezes falo bobagem.
Esse é o tipo de post que dá ressaca na manhã seguinte, daqui a pouco eu vou olhar, talvez delete e, antes, quando ainda estiver lendo, na metade desse meu texto mal redigido, eu sentirei vergonha, vergonha de mim, porque minha vontade de apagar é mais forte que minha vergonha de pensar, eu vou dizer baixinho: - Deus, quanta hipocrisia!
Esse é o tipo de post que dá ressaca na manhã seguinte, daqui a pouco eu vou olhar, talvez delete e, antes, quando ainda estiver lendo, na metade desse meu texto mal redigido, eu sentirei vergonha, vergonha de mim, porque minha vontade de apagar é mais forte que minha vergonha de pensar, eu vou dizer baixinho: - Deus, quanta hipocrisia!
sexta-feira, 20 de julho de 2012
' Olhando pra você
É que tem dias que meio escondida, coisa de criança
Eu paro e fico mesmo assim: olhando pra você
Bem desse jeito assim: descobrindo você.
É que nesses dias eu paro e grito, escondido de nós
Que eu desejava alguém assim, bem desse jeito assim
Então eu pego e fico: olhando pra você
Não de outro jeito, só assim: me descobrindo em você
Me cubro de você
Me cubro de você
Exatamente assim, bem desse jeito assim: olhando pra você.
' Ando assim meio perdida
Eu só procuro o mar quando não posso te alcançar
O meu mar é escondido, só encontro no sofrimento
O meu mar, senhor amor, é uma solidão meio medonha
Dessas coisas que a gente sonha para tirar em dias ruins
Só pra chorar meio escondido e aliviar o coração.
Esses versos e o meu mar são pobres em sofisticação
Mas é mesmo assim que eu sinto, numa indelicada indecisão:
Se o mar é coisa minha, porque quem manda é a solidão?
Fico cá meio perdida, perturbada e ofendida
Pelo fim de meu poema sem uma boa conclusão.
O meu mar é escondido, só encontro no sofrimento
O meu mar, senhor amor, é uma solidão meio medonha
Dessas coisas que a gente sonha para tirar em dias ruins
Só pra chorar meio escondido e aliviar o coração.
Esses versos e o meu mar são pobres em sofisticação
Mas é mesmo assim que eu sinto, numa indelicada indecisão:
Se o mar é coisa minha, porque quem manda é a solidão?
Fico cá meio perdida, perturbada e ofendida
Pelo fim de meu poema sem uma boa conclusão.
sexta-feira, 13 de julho de 2012
' Beijo musicado
Eu gosto quando tu cantas
Parece um namoro em que
tua voz beija meus lábios
Ou um poema em que o certo
É ficar calado
Para molhar um outro lábio
Numa canção desconhecida
Porque assim me parece a vida
A cada beijo musicado.
terça-feira, 26 de junho de 2012
' Samara,
Samara falava e seu brinco balançava. Não compreendia nada, me prendia no balbucio risonho de sua boca rosada. Batia no quadro freneticamente ( seu dedo é magrelo), rebolava lentamente ao ritmo de sua voz - as batidas acompanhavam minha respiração e sua dança espontânea merecia minha devoção . Ela falava, eu a lia, ela olhava, eu escrevia, ela parava, eu cabia, ela apagava e eu, nada só sorria.
Minha aula de Direito, qualquer semelhança é mero devaneio.
Minha aula de Direito, qualquer semelhança é mero devaneio.
' Inconstância eterna,
(...) Pinto quando escrevo com a euforia de um cachorro novo
me liberto quando danço, no desembaraço de uma puta velha
Eu escrevo enquanto flamo numa primeira inconstância eterna.
me liberto quando danço, no desembaraço de uma puta velha
Eu escrevo enquanto flamo numa primeira inconstância eterna.
sexta-feira, 22 de junho de 2012
' Coisa primorosa
Xá de preguiça, amor
Esse medo que nós temos de nós dois
É coisa de menino velho
E eu não sou,
Coisa pequeena
Pega e levanta, amor
Recebe esse meu corpo que é só teu
Fala mansinho jura pura
Diz que é meu
coisa pequeena
Me agarra e dança, amor
Essa dança e me embriaga em teu suor
Juntos nós somos a real entrega e só
Coisa sereena.
sexta-feira, 9 de março de 2012
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
' O valsar que é Deus quem dança
Bia desalmada sob os braços de Arthur
Ela chora quando lança o piar
Do cururu
Velho sapo seu destino
Desatino enfantinado
Era Bia sua luz
e era Arthur o seu fado
Um rei seria mestre num tempo
Purulento
Seria mesmo frio senão fosse
O amigo vento
Mas é de Bia o meu choro
Minha clara lentidão
É a rainha arranhada
Ela é mendiga com o seu cão
É Arthur o que entranha nas margens de um destino
É o rei pobre e negro
Quase santo, deus menino
Mas é Bia sua escolha
Numa encolha tão cruel
Em sua espada com o Vento
Um só corte e um lamento
Traça o dono de uma Bia
Fere o sapo, toma ungüento
Era a moça e eu nas histórias
Agora é bia como lua
E eu no esquecimento
Sofri
Ela chora quando lança o piar
Do cururu
Velho sapo seu destino
Desatino enfantinado
Era Bia sua luz
e era Arthur o seu fado
Um rei seria mestre num tempo
Purulento
Seria mesmo frio senão fosse
O amigo vento
Mas é de Bia o meu choro
Minha clara lentidão
É a rainha arranhada
Ela é mendiga com o seu cão
É Arthur o que entranha nas margens de um destino
É o rei pobre e negro
Quase santo, deus menino
Mas é Bia sua escolha
Numa encolha tão cruel
Em sua espada com o Vento
Um só corte e um lamento
Traça o dono de uma Bia
Fere o sapo, toma ungüento
Era a moça e eu nas histórias
Agora é bia como lua
E eu no esquecimento
Sofri
' Espasmo conjugadoo
' Sei que o meu amado
tenha amado um outro lado
Sei que nesse lado
tem o fardo do passado
Sei que o meu cuidado
é o tardo que eu resguardo
Ah, sei que desse vida
ha quem cure tua ferida,
mas a cada traço que te enlaço
conto um passo,
se são tuas aquelas mãos,
se são tuas as declarações,
o que eu faço?!
Eu paro, sorrio, disfarço,
me caço e passo...
Sei que o meu amado
vai amar um outro lado.
tenha amado um outro lado
Sei que nesse lado
tem o fardo do passado
Sei que o meu cuidado
é o tardo que eu resguardo
Ah, sei que desse vida
ha quem cure tua ferida,
mas a cada traço que te enlaço
conto um passo,
se são tuas aquelas mãos,
se são tuas as declarações,
o que eu faço?!
Eu paro, sorrio, disfarço,
me caço e passo...
Sei que o meu amado
vai amar um outro lado.
' Sutil Pitaco; é
‘ Vamos lá, falando sobre afetação. Afetação segundo meu breve raciocínio, esse mesmo meu, de menina – claro, é o termo que eu aplico ao resultado oposto da obra já posta de um indivíduo disposto a infamar o outro: talento. E assim acrescento nesse envolvimento, o claro elemento que depõe o atento, o outro. O outro que não é penico e que por isso não aplico o tradicional, o moderno, o pós-moderno e o atual. Só por isso replico que o que eu explico não me interessa. E agora já vou, porque sim.
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