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segunda-feira, 23 de julho de 2012

' Desabafo da madrugada


Vez ou outra aparece em meu facebook a notifiação, ou melhor, uma lista de aniversariantes – deve acontecer o mesmo em milhões de face’s. Porém, esse tipo de situação, é a situação que me paralisa, me estanca me deixa tensa... Assim bem simples: eu não sei o que desejar, eu não sei se devo desejar algo, eu não entendo em que a minha manifestação pública contribuirá na vida do aniversariante. As pessoas normalmente não gostam de mim, então porque gostariam que lhes parabenizasse?! Han?! Seria só o ego?! Meu ou dela?! Mas e então? Eu me rendo; afinal de contas nem tudo é poesia. O problema não está nelas, em absoluto. O problema sou eu, eu e meus pequenos significados e minhas monstras conclusões, eu quase sempre acabo concluindo que “felicidades” é o melhor que posso desejar (o melhor pra ela porque sou cristã), mas ao mesmo tempo me sinto imunda por desejar algo em que não acredito, porque quase como cola, eu grudo a palavra que me destrói e que fecha o ciclo de hostilidade humana em mim, eu declaro – discretamente: felicidades infinitas. Não, eu não posso fazer isso! Mas... Normalmente chocaria se dissesse: Você anda mal, mais próximo da morte, sua vida me interessa e me entristece também. Olha, o que de fato posso lhe desejar e ainda com peso no coração, seria “segundos de alegria”. O que me deixaria feliz por um instante, porque é assim que acontece assim eu desejaria. Desculpe, as vezes falo bobagem.

 Esse é o tipo de post que dá ressaca na manhã seguinte, daqui a pouco eu vou olhar, talvez delete e, antes, quando ainda estiver lendo, na metade desse meu texto mal redigido, eu sentirei vergonha, vergonha de mim, porque minha vontade de apagar é mais forte que minha vergonha de pensar, eu vou dizer baixinho: - Deus, quanta hipocrisia! 

sexta-feira, 20 de julho de 2012

' Olhando pra você


É que tem dias que meio escondida, coisa de criança
Eu paro e fico mesmo assim: olhando pra você
Bem desse jeito assim: descobrindo você.

É que nesses dias eu paro e grito, escondido de nós
Que eu desejava alguém assim, bem desse jeito assim
Então eu pego e fico: olhando pra você
Não de outro jeito, só assim: me descobrindo em você
Me cubro de você
Me cubro de você
Exatamente assim, bem desse jeito assim: olhando pra você.

' Ando assim meio perdida

Eu só procuro o mar quando não posso te alcançar
O meu mar é escondido, só encontro no sofrimento
O meu mar, senhor amor, é uma solidão meio medonha
Dessas coisas que a gente sonha para tirar em dias ruins
Só pra chorar meio escondido e aliviar o coração.


Esses versos e o meu mar são pobres em sofisticação
Mas é mesmo assim que eu sinto, numa indelicada indecisão:
Se o mar é coisa minha, porque quem manda é a solidão?
Fico cá meio perdida, perturbada e ofendida
Pelo fim de meu poema sem uma boa conclusão.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

' Beijo musicado

Eu gosto quando tu cantas 
Parece um namoro em que tua voz beija meus lábios 
Ou um poema em que o certo
 É ficar calado 
Para molhar um outro lábio
 Numa canção desconhecida 
Porque assim me parece a vida 
A cada beijo musicado.