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terça-feira, 22 de janeiro de 2013

A morte eu comia


Durmo com a morte, 
a cama
Meus pés cheios de ferida
Comidos, secos, cara a cara com
O chão
que é cama, quente, fria
Sem assunto, como a morte.
De quatro, esguia, lambendo
sua virilha,
quente, fria, cara a cara com
O chão
que é cama, gemia, matava
morria.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

À noite

                                                               
                                                                                                                         Ao Sapeca, amor.


Não, nada importa, a solidão, o desassossego,
nem a paz, nem os medos.

À tarde, só, começo meus dramas.

Ser estúpida com as pernas
enroscadas em meu egoísmo burguês,
é minha pobreza, meu mal.
Não desejo música, nem vida,
por nada me aventuraria.
Aqui, meu espírito mal feito.

À tarde, só, começo meus dramas.

Ao amor, pouca atenção, sorriso desatento.
Meus dedos, loucos, em milagre se afogam
na fenda, fundidos, no banho. Embaixo,
lá estão os mortos, meus, todos feridos.

À tarde, só, começo meus dramas.

Tenho a manha na barriga infecunda
nem mulher, nem anjo, nem homem
nem demônio.

O cachorro morreu.

À noite, só, enterrada nos dramas.