Quando te vejo assim zangado
perco o ar, amor,
dou gargalhadas sozinha.
Penso em teu bico encabulado
e me alegro em tuas desgraças,
sinto prazer por teu escárnio, tua dor
é uma vingança íntima
você morre assim pra mim, amor.
Essa maldade é minha alma
que é tua em sombra e sol
sou em bico tua musa,
tua santa, teu flambol.
Amor...
Minhas mãos te cobrem em palmas
no meu rito desconhecido
no calor do velaneio
Um abraço e te esgano, derramo.
Me esclareço e te beijo.
Meu amor.
quarta-feira, 29 de agosto de 2012
' Estou velha e sei
Dizer que estou velha e sei, seria bom
Mas não é, nem será.
Eu vou dar um jeito de voltar
de ficar escondida no passado
não no meu, no de alguém que
que tenha amado pouco
ou quase nada, desse amor que eu amo
e que a mim não trata.
Dizer que sou criança e sei, seria bom
mas não é, nem será
porque nem sequer há pureza,
beleza ou coisa assim.
Se eu voltar, ainda serei adulta
pequena e bruta, dessas que Chico Buarque canta
se eu voltar porque fui, serei outra
serei insossa.
Sem quase nada que seja bom
Porque mesmo escondida, hei de voltar ferida
E cuidarei de ter rancor.
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