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quarta-feira, 15 de maio de 2013

Da minha quietude

Eu deveria estar desesperada neste momento - confesso que uma mão está, mas só uma mão - Tenho quatro provas hoje, não me preparei para nenhuma avaliação, nem mesmo sei quais os assuntos que deveria ter estudado.

Acontece que só cheguei a esse ponto porque resolvi me disciplinar, dividi matérias e estudei fielmente capítulo por capítulo, escavaquei achados na internet, renovei minha biblioteca e relaxei com chás. Me esqueci apenas de uma coisa: preciso de sincronia com o curso.

Oh céus, quanto mais disciplina, mais avulsa!

Passei a manhã de hoje me entendo com Vladimir Safatle, a infelicidade do mundo e coisa e tal.

Juro que se meus professores me deixassem livre, eu faria a melhor prova que já viram. É só me questionar, sou devagar, monossilábica, mas respondo, pode perguntar ao professor Henrique.

Por mim tá tudo bem, meus planos estão em ordem, daqui a pouquinho termino o curso e FINALMENTE iniciarei minhas teses e as leituras mais agradáveis.

Ah, vivo na contramão... é assim mesmo. Aos professores, meu velho discurso: distância entre nós.


je ne veux pas travailler!

:D



terça-feira, 14 de maio de 2013

Sobre o devaneio

Talvez deva ser mais colorida, divertida e embriagada.

Talvez deva usar roupas curtas, apertadas e brincos grandes; ter passos firmes e rebolado desconcertante.

Na verdade, talvez deva cortar os cabelos, tirar o esmalte vermelho, colocar um tênis e correr na avenida.

Talvez precise ser tagarela, com a manchinha de batom nos dentes e usar cinto de laço para delinear a cintura.

Talvez deixe de ser ela, e deixando de sorrir, me deixe também.

Se me deixasse e, de algum modo se transformasse, estando longe perceberia, veria que tudo muda e, calada ainda estaria aqui.

Ah menina, vê se deixa de crescer.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Aos sentidos

Cá estamos mais uma vez para tratarmos de qualquer coisa que nos inspire por uns tantos. O que seria hoje? A origem do mundo, 1866 e Courbet.

Eu não sei o que escrever, penso que em cima das lendas que cercam o quadro há o suficiente para nos corroer, nos incomodar e violentar ainda mais que o próprio sexo à mostra. Mas já que iniciei minha fala,  quero dizer um pouco mais, e dizer que ao olhar A origem do mundo, não me sinto mais envergonhada como antes ficava, me silencio. Fecho meus olhos nos primeiros segundos apenas por reverência - esqueça, eu não tenho pudor.






















Quando Gustave Courbert dizia que só podia pintar aquilo que via, me desligo de meu feitio e não me aproprio de sua inspiração, de nada... o artista nasceu pra ver, simplesmente ver, com os olhos, com as mãos, com os dedos,  com o tempo, os ouvidos, com a pele, com os cheiros, simplesmente ver. O entendimento perturba a arte, comigo é assim, eu gosto de fantasiar, de sentir, de ouvir as mentiras que o artista tem pra me contar quanto a inspiração porque minha curiosidade fica atiçada. Pela especulação. Ele sentiu.

O que me atrai mesmo é o que não foi dito. Veja, o quadro não tem rosto, é aí que eu entro... fantasio em paz. Para Courbert, a vagina não precisava de rosto, os pelos de minha nuca ficam suficientemente arrepiados. Preste atenção, não estou aqui dizendo que não seja importante o cuidado em entender, não, não mesmo. Digo tão somente que o sentimento é a minha defesa, que sentir é o que me rege. Sinto prazer em conhecer, em saber, enlouqueço com o que sinto, é só isso (risos).


Por sentir demais devo confessar, sonho com uma reprodução do quadro, bem como sonho com o meu espaço para colocá-lo - o cantinho em que ficarei guardada -, da mesma forma que sonho com o cômodo para me esconder, do mesmo em que sonho com a sua posição em minha parede, com o tempo em que ficarei de olhos fechados sabendo que ao abrir terei a Origem do mundo em minha frente. Eu sonho.

O que pensava Lacan, esperava assim como eu, o cômodo para fechar os olhos?! Não... eu não sei. Elisabeth Roudinesco - biógrafa de Lacan - diz que mesmo ele, o homem que atordoava o sentido dos outros, se resguardava da força da imagem, a mantinha coberta por uma cortina e somente pessoas que ele desejasse, veriam o quadro. O que Lacan sentia?

O artista faz aquilo que vê. Pernas abertas ainda corroem o mundo? O espectador sente além do que vê.


E entre as pernas, a nossa origem. Por debaixo dos pelos, bem mais que o rosto, na fenda, os dedos de Courbert tocando a tela, pincelando a vulva, encarando os peitos. Vi demais sobre o quadro, falei mais do que gosto de falar e mesmo assim não disse nada. Queria mesmo parar aqui, sem nada a dizer, não hoje, quero só mostrar, mostro que explico, mas... eu só posso sentir.


quinta-feira, 18 de abril de 2013

E que eu ouça Davide Van de Sfross

Pois então, e aquelas músicas que corrompem as oiças?! Tenho uma lista sem fim das canções preferidas, dos cantores que me acompanham a vida. Mas, agora eu preciso falar sobre Davide Van de Sfross. Preciso muito mesmo, oh céus! Quero passar o dia inteiro trancada num quarto com um som explodindo, ouvindo Sfross, dançando e deslizando junto ao violino... 

Não consigo comparar Davide a ninguém, quero mesmo nem saber... só quero ouvir, meu Deus que insano!

Fico me imaginando como parte de seu espetáculo, me rasgando a goela, a cintura e os ombros acompanhando os tambores, tentando seguir a nota, seguir o mesmo passo, seguir junto. 

Acho que estou apaixonada, quero Davide como padrinho; quem tratará de meu amor platônico? 

Tenho uma proposta a fazer, podemos fugir os três, eu, você e meu par. Cuidaremos da arte por uma semana, é o tempo que enjoo a sua companhia, volto pra casa e você faz uma canção pra mim, terá por nome, Sara, a menina. Aí você me esquece, mas eu e meu par continuaremos te ouvindo e faremos contos com as lembranças... é só uma proposta, o melhor que posso fazer, você quem decide, Van Sfross.

Viu?! La ballata del Cimino.

Fora de brincadeira, o mundo carece de Davide. Nem sei como vivia sem ele, ainda bem que quem me ama me amou tanto que me deixou um presente em meu e-mail, foi isso bem aqui que ele me deu: Brèva & Tivan - 10 il duello. Obrigada.

Acorde cedo no próximo sábado, abra a janela do quarto, pegue o livro de Lígia Fagundes Telles - se continua me lendo até aqui é porque você guardou Lígia em sua coleção - que fica na estante depois do guarda-roupa, abra sua versão de Histórias escolhidas e leia o primeiro conto. Leia ouvindo a seguinte canção: Nona Lucia. Depois dance, estarei aqui dançando com você.

Bom dia.



quarta-feira, 17 de abril de 2013

Sobre Anne Sexton e eu

Bom dia! Bom dia cheio de febre, garganta inflamada, bom dia.
Bom dia, poesia, bom dia.

Estou feliz porque hoje quem me visitou o peito foi a Anne Sexton, como me anima quando me encontra, como me preenche o dia. 

Anne não é tão conhecida no Brasil, não se tem um fácil acesso à sua bibliografia, poucos são os poemas traduzidos, mas não se precisa de poemas infindos, ao lado de Anne basta o sussurro da frase, o afago do ritmo, basta saber que ela escreveu um dia, basta ler um fragmento tendo certeza de que ela fechava os olhos, tomava seus remédio e os escrevia - minha livre ilustração - ou não, pensar que escreveu indelicada, desafiada, inibida, vulgar, nua... não sei, me confundo toda ao pensar em Anne, minha Anne...

Já fiquei horas repetindo Tudo em mim é um pássaro, Tudo em mim é um pássaro, Tudo em mim é um pássaro. Tudo em mim é latente, tudo em mim é febril, tudo em mim é inseguro, tudo em mim é de todo uma certeza, tudo em mim voa, tudo em mim, tudo em mim, tudo em mim é um pássaro. 

Doce peso em celebração da mulher que sou.

Não canto uma nota sequer posto que tudo em mim é um pássaro, tudo em mim é grito, tudo está em silêncio, tudo em mim se vai, vai e volta... tudo em mim é um pássaro.

Não gostaria de ter estado com Anne, nos unimos porque estou aqui, se me escolheu foi mesmo porque a escolhi.

Um pouco de nós:


EM CELEBRAÇÃO DO MEU ÚTERO 

Tudo em mim é um pássaro.
Adejo com todas as minhas asas.
Queriam extirpar-te
mas não o farão.
Diziam que estavas incomensuravelmente vazio
mas não estás.
Diziam que estavas doente prestes a morrer
mas estavam errados.
Cantas como uma colegial
Tu não estás desfeito.

Doce peso,
em celebração da mulher que sou
e da alma da mulher que sou
e da criatura central e do seu prazer
canto para ti. Atrevo-me a viver.
Olá, espírito. Olá, taça.
Fixar, cobrir. Cobre o que contém.
Olá, terra dos campos.
Bem-vindas, raízes.
(...)
Doce peso
em celebração da mulher que sou
deixa-me levar uma echarpe de três metros,
deixa-me tocar o tambor pelas que têm dezanove anos,
deixa-me levar taças para oferecer
(se é isso o que me toca).
deixa-me estudar o tecido cardiovascular,
deixa-me calcular a distância angular dos meteoros,
deixa-me chupar o pecíolo das flores
(se é isso o que me toca).
Deixa-me imitar certas figuras tribais
(se é isso o que me toca).
Pois o corpo preciso disso,
que me deixes cantar
para a ceia,
para o beijo,
para a correcta
afirmação.


Tradução de Jorge Sousa Braga.

Um vídeo, não me pergunte quantas vezes vi, será mais um de nossos segredos. Fale com Anne.


segunda-feira, 15 de abril de 2013

A vergonha e a dor



Hoje. Agora, senti uma vergonha agoniada, uma vergonha que angustia o corpo, deixa os goles de água amargos, e o rosto sem vontade de se repetir; a vergonha pari a angústia e a angústia me humilha.

Fico aqui, entre o chão e uma cova, desejando caber em qualquer caixa de sapato antigo, de sapato esquecido, ficar na companhia dos velhos, empoeirados, eu e meu par, em silêncio. O silêncio faz a vergonha gritar.

Quando estou envergonhada, uivo, às vezes baixo, outras... Num lamento que espanta os céus! Eu uivo me rasgando, pedindo socorro ao meu passado, clamo por piedade, por alguns minutos antes do consumado, antes do suplício, antes do mau estado.  Eu agora estou grunhindo, sou um cão, uma cadela sem cria, sem par, sem orgulho.

Me lembrei das primeiras letras de minha vida, das primeiras leituras, lia os segredos de meu pai, segurava a alma de um escritor, e ele, pobre pai, acreditava na minha inocência.

Eu lia o que meu pai esquecia, lia suas cartas, suas canções, suas poesias, histórias... Eu lia, eu relia, eu me via. Meu pai é meu, o Édipo que me esqueça.

Me envergonho por saber demais, os pais tem que ser mistério, tem que ser repetição, o meu pai é meu livro aberto, sou nele tudo o que não sei de mim, me reparo em cada gesto seu, eu sorrio o seu sorriso e atrepo minhas penas para almoçar. Pai, eu prometo cantar mais, cantar no banheiro e fingir que o senhor não se demora no quarto só para me escutar.

Não é justo, não é justo tanta curiosidade e displicência de uma pequena, mas preste atenção, eu esperava meus pais se afastarem. Quando via meu pai arrumando uma geladeira, e minha mãe cuidando nas louças, era minha hora, era minha degustação, melhor que qualquer pedaço de melancia gelado, melhor que abacate com banana, ou culto de domingo de manhã.

Tinha meu ritual sagrado, era uma questão de louvor a mim, um brinde a nós: criança e segredo de velho, ao silêncio e paz que me acompanham, ou não.

Apanhava seus caderninhos na última gaveta da cômoda, despejava tudo no chão, entre minhas pernas e os pés da cama, quase que valsávamos.  Quem foi meu pai em 79, em São Paulo? Quem descobria meu pai antes de mim?

Junto a seu tesouro tinhas as fotos, essas eu nunca tratei de desvendar, as fotos antigos foram feitas para os sonhos, a gente olha, se encara e desvia o olhar. Guarda o que não precisou ser dito e dispensa qualquer poesia que venha delas, é assim comigo, o retrato antigo foi feito para adorar.

Olhava tudo e ficava atenta, qualquer movimento e tudo estava acabado.

Entendeu a minha vergonha? Tudo bem, eu lhe digo, papai deixava o seu espírito dedilhado em papéis, tudo arquitetado, o pai se deixava ser escritor só pra eu olhar.

Mas o pior, agora estou agarrada ao chão.

Eu lia, tudo lia, lia o diário do ajudante de meu pai, o senhor que morou com índios, lia o que o compadre escrevia, sem querer me segredar, lia tudo em voz alta. E por ser subordinado a meu pai, se deixava envergonhar.

Nunca mais quero ver ninguém, joguem ácido sobre meus olhos, que o ácido queime e que morra sem olhar, não se grita o que o poeta não deseja falar.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

O delírio

Mesmo tendo em mim um turbilhão de timidez, escrevo. Não escrevo como gostaria, mas deixo meus muuuuitos caderninhos e diários e agendas e bloquinhos e papeizinhos bobos e paredes e quadros e espelhos, deixo tudo rabiscado, tudo é relembrado. Sabe o nome de minha mania? mapeação da alma.

É o desejo que sinto por mim.

Gosto de ver os meus pedaços, minha caricatura espalhada, talvez sejam mesmo os meus cacos, uno minhas charadas, me venço, me avesso e me desconheço.

No meu romance, sou meu par.

É como quem se encara nu, sentindo tesão e repulsa por si, é saber o que o espelho não diz, é sentir vergonha do quanto se acha molhada.

Mas eu confesso, gosto de estar assim, tenho a rotina de encontro e desencontros com o ontem, o hoje e o que nunca existiu, comigo ou com qualquer situação que eu tenha criado, tenho olhos as vistas, cara a cara com quem me quer ver.

Tenho a beleza de um amor que dura, esse mesmo narcisista, com língua na minha língua, mãos sobre meus peitos, todos os dias debruçada sobre mim.

Ele tocou no meu silêncio

Eu tenho um silêncio que tudo fala por mim,
e no silêncio, eu sou o que falta,
que me cala e basta,
me toca e afaga,
me tranca a boca
porque poeta que fala, trava, estanca e mata
e o bom poema
se perde no
fim.


xxxx

sábado, 23 de março de 2013

Da tarde


Tenho amaldiçoado todas as companhias. Os sons me aborrecem e a alegria me causa enjôo. Tenho sido desprezado por Deus que não se compadece com a minha dor, que leva a cada um dos meus poucos olhos infantis para junto de um inferno, de outro inferno que não este sobre qual eu vivo.

Tenho sido mentiroso, eu menti a cada palavra que anteriormente disse, menti, minto e a tudo desdigo. Santa desgraça é a falta de caráter de um escritor, bem podia eu me enforcar agora, mas não... bendita seja a covardia de um poeta, apodreço na minha vaidade, e por pior que seja, não suportaria viver noutra vida, a menos que fosse uma vida diferente da minha, veja, mais uma vez me desdisse. 

Crês em mim ainda? Continua a ler bobagens? Pois saibas que és pior que eu. Que se, por artimanha do diabo, te visse na rua, cuspiria a teus pés, amaldiçoaria a minha sorte e logo após sair da calçada, te esqueceria.

Pense você, estar por um instante ao meu lado, seria a maior de tuas vantagens.Não somos parecidos? Eu escrevo o que detesto e você deseja ser eu.

Passou um pouco da minha alucinação, desejo falar sobre... não sei o que desejo falar... já que sou eu quem conduz a conversa, vamos tratar dos vermes, em como comemos uns aos outros enquanto nos olhamos, em como fazemo-nos mal, no quanto parasitamos, viu? Continuo na mesma história, ainda é a relação escritor/leitor, a mesma que agora repudias. Não diga que não, te odiaria mais ainda.

quinta-feira, 21 de março de 2013

A boca, só a boca

O que me encanta na boca dos outros? era a pergunta imbecil que não saia da minha cabeça enquanto lavava meu rosto. Fiquei diante da pia, em frente ao espelho durante um tempinho... o que me encanta? A boca é um presente, me sugeria, e seu fado é o prazer, concluí. Mas e o sorriso, é presente para a boca, ou da boca é o carinho?

Este é o momento em que você deve dizer: quanta idiotice, pensamento sem magia! E eu lhes digo, é mesmo e tão somente é.

A boca foi feita para o encanto, o encontro, a lascívia, os prazeres, a boca tem que ser roubada, a boca do roubo é boca dada.

A boca é o segredo, o escondido, o íntimo, o pecado particular.

A boca é o céu da língua, a umidade que aquece o fogo.

A boca é desenho, é o sal, é o sulco, o doce.

A boca é o rito da demência, feita para os sustos, a vulva, desenhada para o amparo.

A boca é o desafio da alma, é quem acalma, quem come, movimenta e lambe.

A boa é o final.

E para a boca, o vulgar, a fantasia, os cheiros, os sucos que só deus quem sabe.

Na boca, a virgindade, o selo, o pau.

Besteira é ficar sem se esfregar numa boca.

Pronto, agora que os dentes estão escovados, monitoria de Penal.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Hein...


As primeiras perguntas do primeiro diálogo do primeiro encontro:

Quantas vezes por dia você chora?
Quantas vezes você chora?
Você chora todo dia?
Você chora de dia ou de noite?
Me responde,
Você chora?

E com emoção - bem mais que a minha - me agarrou por entre o peito,
acariciou meu cabelo, sorriu.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Se convidar, eu canto

E se falarmos sobre cantar? Aí eu fico ainda mais feliz. Sim, eu canto contando meus passos enquanto ando pela rua, eu canto igual uma doidinha, canto mesmo, canto só... canto pra mim, eu canto e assobio.

Eu canto com toda a minha preguiça de sair, eu canto assustando quem ousa me olhar mexendo os lábios, eu canto sorrindo e batendo os dedos na bolsa, na perna, depende do timbre que desejo alcançar.

Eu canto desde criancinha, não, na verdade eu assobiava, e assobiava muito, minha mãe vivia brigando - Menina, deixa de ser doida! - minha mãe ainda briga (dizendo a mesma coisa).

Eu canto, canto a segunda voz para meu pai, ele lá no mato e eu, aqui.

Eu canto e depois não sei mais cantar.

Eu canto esperando meus aplausos, eu aplaudo porque sou eu sozinha no palco.

Eu canto escrevendo, agora, por exemplo, estou cantando, canto Renato Godá.

Eu canto, busco qualquer música do Sérgio Sampaio e faço um lamento, tem dias que venho lá de Portugal cantando... Outras vezes sou a companhia de palco de Maria Rita, eu juro que sou eu a sombra depois da bateria fazendo a voz saltar.

Eu canto com Zaz todos os dias, é bem verdade que eu acordo cantando, mas se canto, danço, de cintura solta no banho, escorregando e rebolando.

Eu canto para me seduzir, eu seduzi olhos cegos enquanto falava cantando.

Eu canto o sofrimento, o sofrimento por todas as dores, é uma chatice ter um esqueleto que também gosta de cantar.

Se quiser me convidar para um show, eu vou lá e canto... mesmo que ninguém me ouça cantar.

sexta-feira, 1 de março de 2013

Amanheceu

Mas se você acordasse, amor
eu te daria as horas
eu te daria as horas
de quem nunca viveu.

Antes que acordasse, amor
eu te daria botões
das rosas os botões
um perfume só teu.

Deixa de dengo e acorda, amor,
vem beijar quem sofreu,
com beijos de preguiça, nega...

Abre os olhos pra ver,
mais um sorriso
o dia é o segredo.

Amanheceu.

Bestinha que doi

Será normal que a cada passo que eu dou
sentir o aperto que o passado cometeu?

Seria crime se ao pensar em te matar
o futuro se esquecesse de chegar?

                 Quem tanto acusa esse velho peito
                  meu?

Três versinho mal contados pra amanhã,
                 ou depois,
                       talvez.

Veja, menino

Veja que não me canso de falar em nós dois
Vejo o quanto é manso ao lembrar como foi
Meus olhos nos teus, cabelos ao ar
No escuro. minha noite, senti teu vulto chegar.

Huuuuum...

Veja que não me canso de cantar pra nós dois
Veja só, menino, o futuro já foi.

Nós dois por lá, depois de uma história,
o conto de quem lembrava do amor.

Ah neguinho, teu colo é meu
Olha só, menino, esse colo é meu
Ah menino, teu colo é meu

                          Teu colo é meu
                          Teu colo é meu
                          Teu colo é meu