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segunda-feira, 11 de março de 2013

Se convidar, eu canto

E se falarmos sobre cantar? Aí eu fico ainda mais feliz. Sim, eu canto contando meus passos enquanto ando pela rua, eu canto igual uma doidinha, canto mesmo, canto só... canto pra mim, eu canto e assobio.

Eu canto com toda a minha preguiça de sair, eu canto assustando quem ousa me olhar mexendo os lábios, eu canto sorrindo e batendo os dedos na bolsa, na perna, depende do timbre que desejo alcançar.

Eu canto desde criancinha, não, na verdade eu assobiava, e assobiava muito, minha mãe vivia brigando - Menina, deixa de ser doida! - minha mãe ainda briga (dizendo a mesma coisa).

Eu canto, canto a segunda voz para meu pai, ele lá no mato e eu, aqui.

Eu canto e depois não sei mais cantar.

Eu canto esperando meus aplausos, eu aplaudo porque sou eu sozinha no palco.

Eu canto escrevendo, agora, por exemplo, estou cantando, canto Renato Godá.

Eu canto, busco qualquer música do Sérgio Sampaio e faço um lamento, tem dias que venho lá de Portugal cantando... Outras vezes sou a companhia de palco de Maria Rita, eu juro que sou eu a sombra depois da bateria fazendo a voz saltar.

Eu canto com Zaz todos os dias, é bem verdade que eu acordo cantando, mas se canto, danço, de cintura solta no banho, escorregando e rebolando.

Eu canto para me seduzir, eu seduzi olhos cegos enquanto falava cantando.

Eu canto o sofrimento, o sofrimento por todas as dores, é uma chatice ter um esqueleto que também gosta de cantar.

Se quiser me convidar para um show, eu vou lá e canto... mesmo que ninguém me ouça cantar.

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