Tenho amaldiçoado todas as companhias. Os sons me aborrecem
e a alegria me causa enjôo. Tenho sido desprezado por Deus que não se compadece
com a minha dor, que leva a cada um dos meus poucos olhos infantis para junto
de um inferno, de outro inferno que não este sobre qual eu vivo.
Tenho sido mentiroso, eu menti a cada palavra que
anteriormente disse, menti, minto e a tudo desdigo. Santa desgraça é a falta de
caráter de um escritor, bem podia eu me enforcar agora, mas não... bendita seja
a covardia de um poeta, apodreço na minha vaidade, e por pior que seja, não
suportaria viver noutra vida, a menos que fosse uma vida diferente da minha,
veja, mais uma vez me desdisse.
Crês em mim ainda? Continua a ler bobagens? Pois saibas que
és pior que eu. Que se, por artimanha do diabo, te visse na rua, cuspiria a
teus pés, amaldiçoaria a minha sorte e logo após sair da calçada, te
esqueceria.
Pense você, estar por um instante ao meu lado, seria a maior de
tuas vantagens.Não somos parecidos? Eu escrevo o que detesto e você deseja
ser eu.
Passou um pouco da minha alucinação, desejo falar sobre...
não sei o que desejo falar... já que sou eu quem conduz a conversa, vamos
tratar dos vermes, em como comemos uns aos outros enquanto nos olhamos, em como
fazemo-nos mal, no quanto parasitamos, viu? Continuo na mesma história, ainda é
a relação escritor/leitor, a mesma
que agora repudias. Não diga que não, te odiaria mais ainda.
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