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quinta-feira, 21 de março de 2013

A boca, só a boca

O que me encanta na boca dos outros? era a pergunta imbecil que não saia da minha cabeça enquanto lavava meu rosto. Fiquei diante da pia, em frente ao espelho durante um tempinho... o que me encanta? A boca é um presente, me sugeria, e seu fado é o prazer, concluí. Mas e o sorriso, é presente para a boca, ou da boca é o carinho?

Este é o momento em que você deve dizer: quanta idiotice, pensamento sem magia! E eu lhes digo, é mesmo e tão somente é.

A boca foi feita para o encanto, o encontro, a lascívia, os prazeres, a boca tem que ser roubada, a boca do roubo é boca dada.

A boca é o segredo, o escondido, o íntimo, o pecado particular.

A boca é o céu da língua, a umidade que aquece o fogo.

A boca é desenho, é o sal, é o sulco, o doce.

A boca é o rito da demência, feita para os sustos, a vulva, desenhada para o amparo.

A boca é o desafio da alma, é quem acalma, quem come, movimenta e lambe.

A boa é o final.

E para a boca, o vulgar, a fantasia, os cheiros, os sucos que só deus quem sabe.

Na boca, a virgindade, o selo, o pau.

Besteira é ficar sem se esfregar numa boca.

Pronto, agora que os dentes estão escovados, monitoria de Penal.

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