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segunda-feira, 18 de março de 2013

Hein...


As primeiras perguntas do primeiro diálogo do primeiro encontro:

Quantas vezes por dia você chora?
Quantas vezes você chora?
Você chora todo dia?
Você chora de dia ou de noite?
Me responde,
Você chora?

E com emoção - bem mais que a minha - me agarrou por entre o peito,
acariciou meu cabelo, sorriu.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Se convidar, eu canto

E se falarmos sobre cantar? Aí eu fico ainda mais feliz. Sim, eu canto contando meus passos enquanto ando pela rua, eu canto igual uma doidinha, canto mesmo, canto só... canto pra mim, eu canto e assobio.

Eu canto com toda a minha preguiça de sair, eu canto assustando quem ousa me olhar mexendo os lábios, eu canto sorrindo e batendo os dedos na bolsa, na perna, depende do timbre que desejo alcançar.

Eu canto desde criancinha, não, na verdade eu assobiava, e assobiava muito, minha mãe vivia brigando - Menina, deixa de ser doida! - minha mãe ainda briga (dizendo a mesma coisa).

Eu canto, canto a segunda voz para meu pai, ele lá no mato e eu, aqui.

Eu canto e depois não sei mais cantar.

Eu canto esperando meus aplausos, eu aplaudo porque sou eu sozinha no palco.

Eu canto escrevendo, agora, por exemplo, estou cantando, canto Renato Godá.

Eu canto, busco qualquer música do Sérgio Sampaio e faço um lamento, tem dias que venho lá de Portugal cantando... Outras vezes sou a companhia de palco de Maria Rita, eu juro que sou eu a sombra depois da bateria fazendo a voz saltar.

Eu canto com Zaz todos os dias, é bem verdade que eu acordo cantando, mas se canto, danço, de cintura solta no banho, escorregando e rebolando.

Eu canto para me seduzir, eu seduzi olhos cegos enquanto falava cantando.

Eu canto o sofrimento, o sofrimento por todas as dores, é uma chatice ter um esqueleto que também gosta de cantar.

Se quiser me convidar para um show, eu vou lá e canto... mesmo que ninguém me ouça cantar.

sexta-feira, 1 de março de 2013

Amanheceu

Mas se você acordasse, amor
eu te daria as horas
eu te daria as horas
de quem nunca viveu.

Antes que acordasse, amor
eu te daria botões
das rosas os botões
um perfume só teu.

Deixa de dengo e acorda, amor,
vem beijar quem sofreu,
com beijos de preguiça, nega...

Abre os olhos pra ver,
mais um sorriso
o dia é o segredo.

Amanheceu.

Bestinha que doi

Será normal que a cada passo que eu dou
sentir o aperto que o passado cometeu?

Seria crime se ao pensar em te matar
o futuro se esquecesse de chegar?

                 Quem tanto acusa esse velho peito
                  meu?

Três versinho mal contados pra amanhã,
                 ou depois,
                       talvez.

Veja, menino

Veja que não me canso de falar em nós dois
Vejo o quanto é manso ao lembrar como foi
Meus olhos nos teus, cabelos ao ar
No escuro. minha noite, senti teu vulto chegar.

Huuuuum...

Veja que não me canso de cantar pra nós dois
Veja só, menino, o futuro já foi.

Nós dois por lá, depois de uma história,
o conto de quem lembrava do amor.

Ah neguinho, teu colo é meu
Olha só, menino, esse colo é meu
Ah menino, teu colo é meu

                          Teu colo é meu
                          Teu colo é meu
                          Teu colo é meu


sábado, 16 de fevereiro de 2013

Sobressalto de Sara

Hoje é um dia bonito, feito para um quarto escuro e vários filmes! Bem, o motivo deste post é meio que uma, como posso dizer (haha), já sei! Uma nota de esclarecimento, é... uma coisa tem me incomodado nos últimos dias, como uma coceirinha na palma da mão, sabe?!

Nessa semana, duas moças na faculdade me perguntaram sobre o blog - como sempre, me assustei, penso que as estatísticas vêm de um erro na pesquisa - quiseram saber sobre a criação, achei tão bonito como falavam, chegaram até mim com tamanha intimidade que, poxa... essa é a onda da minha alma, ter textos livres, nem sei se essa é a forma certa de dizer, mas tê-los entendidos pela gesto de um sonho, de uma viagem de mente, aquelas coisas que o coração só consegue falar com a alma (?!)... mais ou menos assim, bem, o que importa é que foi com  intimidade que falamos, que tratamos de algo nosso; ali, enquanto conversávamos - ela, mais eufórica que eu - notei o quanto a surpreendia o fato de eu ser como sou - ou como estava -, ela esperava uma Sara dona do espaço, quiçá mais afetada, é... esperam de mim mais afetação, ser uma nerdzinha vaidosa com as feridinhas no rosto não é uma imagem que rodeia muito o imaginário de quem me lê (hehe).

O negócio é que, ela me falava sobre trechos meus que eu nem  me lembrava ter escrito, me perguntava como surgiram, algumas vezes dizia quando ele te machucou. Oh, o velho susto! Eu quis, com simplicidade dizer a ela que ninguém havia me machucado, não daquela forma, não àquela forma; que tudo fazia parte de traços em mim, tem horas que olho pela janela, vejo a moça desolada na praça e, começo a fabular, a pensar nela como minha, ter o peito dela no meu, aí flui a nossa conversa, é um papo de encontro sem presença. Não tem a ver com a minha vida, não com o que toquei de fato - não digo realidade porque o que fantasio também é real - pensei que depois de falar essas coisas para a moça de cabelo cheio de brilho, seus olhos fugiriam  da minha atenção, mas não, ela simplesmente falou sobre Bia. E Bia, todos sabem, é minha explicação favorita.

Eu percebi que tinha uma dívida com quem me lê, tenho que explicar um pouquinho acerca de uma coisinhas, a começar por Bia, minha Beatriz, a menina que tanto aparece por aqui.  Ela é a parte de mim que é livre para as aventuras, é solta para um mundo que eu desconheço, ela aos poucos vem me dizer o que quer, de vez em quando ela clareia minha mente, ela me segreda alguma coisa que por lá, lá bem longe, viveu. Esta é Bia, essa sou eu.

Outro negócio importante, alimento o blog com os textos mais soltos que tenho, porque tenho aqueles que crio, que cuido comigo, entende?! Os que estou guardando, juntando para quem sabe uma impressão?! Háaaa! Um livro, umas crônicas... é... quem sabe. Vou aprimorar o pouquinho que sei. Por exemplo, vários textos que tenho aqui no blog, finalizo no caderninho, enrolo e desenrolo por lá... Vou trazer pra cá.

O mais importante é que, eu sou o que escrevo, não sendo eu no que falo, de que, quando risco, risco parte do quem desconheço, do que sinto atravessando...

O Cena 1, veio depois de um filme francês, que ficou grudado na minha cabeça a um quadrinho que havia lido antes de assistir... É assim que acontece, quando trato da mulher de franja que não quer envelhecer, sempre tenho uma imagem feita por Kundera em A Valsa dos Adeuses; em certo ponto do livro, ele narra a vida de uma estéril, fiz a imagem dela assim no pensamento, sofrida e com franja. Os versinhos de Bailarinas n'agua, são meus por inteiro, eu cuspi gesto por gesto, eu estava com elas, eu vi as meninas nuas, tinha por companhia Kundera  - A Insustentável Leveza do Ser - na beira da lagoa...

Sobre as canções,  nelas tenho meus retratos, lá... tudo bem pensado, cada harmonia bem demarcada, cada palavra dedicada. É um jeito gostoso de fazer amor, ao ritmo de si, nada mais. E sim, a coisa primorosa é Ele, que também é meu pai, meu filho, meu mestre, meu encontro, meu mistério. Ele, que veio a mim puro, igual ao ouro que eu derreto, sem machucados, curado, livre, que amou para aprender a me amar, que descreu para aprender a crer, que sofreu para estar em mim com alegria.

Sobre isso é bom falar, estávamos lá, olhando o que havíamos vivido e sendo gratos, gratos ao passado que nos ensinou, piedosos ao que havia se tornado, e como disse - uma vez e não mais -: a frustração afeta e apodrece. Mas há esperança aos que foram. Nós, dançamos para nossos pais.

É, é mais ou menos isso... preciso descer e comprar alguma coisa p comer.


sábado, 2 de fevereiro de 2013

Retrato em marfim


A intimidade pediu silêncio, pediu um tempo, uma canção, uma poesia.
A intimidade pediu um grito, unhas ferindo, uns gemidos.
A intimidade pediu suor, saliva, lascívia, curva.
A intimidade pediu janela, entre as pernas,
à parte, leves, apertando.
A intimidade pediu
Olhos grudados
Pra cima, no
Céu.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

A morte eu comia


Durmo com a morte, 
a cama
Meus pés cheios de ferida
Comidos, secos, cara a cara com
O chão
que é cama, quente, fria
Sem assunto, como a morte.
De quatro, esguia, lambendo
sua virilha,
quente, fria, cara a cara com
O chão
que é cama, gemia, matava
morria.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

À noite

                                                               
                                                                                                                         Ao Sapeca, amor.


Não, nada importa, a solidão, o desassossego,
nem a paz, nem os medos.

À tarde, só, começo meus dramas.

Ser estúpida com as pernas
enroscadas em meu egoísmo burguês,
é minha pobreza, meu mal.
Não desejo música, nem vida,
por nada me aventuraria.
Aqui, meu espírito mal feito.

À tarde, só, começo meus dramas.

Ao amor, pouca atenção, sorriso desatento.
Meus dedos, loucos, em milagre se afogam
na fenda, fundidos, no banho. Embaixo,
lá estão os mortos, meus, todos feridos.

À tarde, só, começo meus dramas.

Tenho a manha na barriga infecunda
nem mulher, nem anjo, nem homem
nem demônio.

O cachorro morreu.

À noite, só, enterrada nos dramas.

domingo, 30 de dezembro de 2012

Cena 1

- Entre.
- Eu... bem, eu... que fique claro, eu...
- Entre.
- Jorge, escuta - em seus lábios o amargo, há 2 dias não comia - Eu pensei, pensei muito, mas... eu tinha razão, não quero me explicar, eu te machuquei, bem... te machuquei com a tua culpa, você sabe, foi... foi uma vez, então... eu não me arrependo, mas entendi, será pior pra você a distância, não é?! Você me ama, me ama, sim?
- Olha, o lado bom ou ruim de estar morando com a mulher, é foder ela; se você ama, você ama e fode com a sua mulher porque é a porra da mulher que você ama; depois, se não ama a sua mulher, você bebe, fuma, fode, assiste e escreve o maldito livro que nunca vai vender. Com a puta ninguém mora. Fode, fere, dá o da comida e volta pra casa pra beber... engraçado,
- Jorge...
- você só se lembra da puta de novo, quando sente fome, quando tá com vontade de comer um hambúrguer nojento...
- Jorge... para...
- Então, tem a mulher que ama, que fode com um demente, que se sente insegura... abre as pernas para uma carteira que pagaria um vinho razoável, depois, fode com o que ama, e então: buuuuuh, deixa o cara com pus no mijo, sangrando... Isso é engraçado, eu estou sorrindo. Não, Luna, você não estava errada. Entre as pernas, teu próprio estupro. Tô mijando sem dor.
- Pega, o CD é teu.

Abotoou a bolsa, tropeçou no passo e calou embaixo, frente a estátua de Gonçalves Dias.

A urgência dos 20 anos

Um momento, por favor, tenho 20 anos! 2012 tá no finzinho e cá estou eu escrevendo memórias para a velhice.

Digamos que completar 20 anos me fez ter uma sensação meio rasteira da vida, sabe?! Deixei o salto alto um pouco de lado, esperando no canto, sempre embaixo das sapatilhas, foi tanta descoberta pra mim que, me sentir mulher estava bem além de empinar a bunda num salto, entende?! O sapato alto completaria o delíneo de minhas pernas, mas quando por ele meu instinto pedisse.

Minha presença mais marcante, minha voz grave encontrou o meio tom, as curvas sincronizavam com meu olhar feminino, a boca e os cílios completavam a silhueta. Surpresas e surpresas, desapego e tudo mais.

Aos 19 ficava preocupada, tudo bem que seria uma adultinha, mas meus ursos acampariam na minha cama, minha coleção de fotos ficaria espalhada, teria caderno de desenho e lápis de cor, usaria rabo de cavalo, camisas de estampinha... Foi um aborrecimento besta a programação dos 20 anos, pensava tanto no que faria, que esqueci da habilitação. A burrice é tensa, aprendi.

Ah, de qualquer forma, tomaria meu sorvete, foi então que relaxei.

Amadurecer tem sido natural, tenho deitado na rede e lido bobagens sem nenhuma culpa, eu também trabalho, acordo cedo, faço acordos, sentenças, tudo direitinho, tipo gente grande.

Acompanho séries, mas também estudo francês, ouço músicas, como também me dedico ao Direito, cozinho, mas saio toda solta, dançante e feliz a procura de algum lugar aconchegante pra comer minha salada de frutas com sorvete, ou pizza com suco - êeeehh.

Uma época feliz, escrevo o que gosto, com carinho e para mim. Vivo mais intimista que de costume, saio, danço, pulo, cultuo... Leve, a meu modo. Carregando sobre os ombros o peso de quem canta, de quem sabe cantar e entoa pra si, porque minha alma pede.

Ainda custa pra eu completar 21 anos, mas aos poucos eu vou me preparando.

Amo com pressa, com a ânsia pronta para sufocar, amo demais tudo que amo... ainda não descobri se é imaturidade ou minha intensidade; por enquanto nenhum  mal.

Vou continuar aprendendo, apaixonada, estudada, encantada. Prossigo cantando, bordando, escrevendo, compondo, costurando, fotografando, plantando...

20 anos é excitante, sensual - é tara; a pele quer comer o mundo.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Lua

Queria fotografar a lua
estando montada nos segredos dela,
ou quem sabe ela ser,
escura e nua sobre ela.
Tô com vontade
de ser
a
lua.


domingo, 23 de dezembro de 2012

Visagem

Quando desassossega ou
o assunto o incomoda,
ele pega e abre a boca,
boceja pra dizer que não se importa.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

A cena do cinismo


Fiquei sentada relembrando o cinismo da cena: minha entrada, um susto, olhos avulsos e mãos que não conseguiam fechar as janelas.

Quando assusto geralmente sorrio, mas quando surpreendo, silencio; e em silêncio me direciono até a geladeira, tomo água, deixo a bolsa e os livros em cima da mesa, troco de sapatos, pego a carteira, as chaves e saio. Compro os presentes de natal, sento na praça e só consigo pensar na série de gestos -  mal resolvidos, mas não confusos.

Eu me atrevo a dizer que aquela foi a deixa para eu terminar de fazer as malas, mas o corpo quis deitar.

Não me deixe desconfiar, eu gosto de escrever. 

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Purple Rain na varanda

Querido, a tua mão escolheu a minha. Minha paz escolheu teu peito. Meus ouvidos, tua guitarra. Minha pele, a tua poesia. E não há nada em mim que não pertença a tua fantasia.

Quando, na varanda, esquecemos o passado, fomos abençoados com a púrpura dos céus, a chuva nos batizou e só soubemos sorrir. Lembra que te abandonei? Lembra o que fez? A guitarra contou nosso segredo para o teu público.

Só queria ser uma espécie de amigo, você chorava no palco. Eu? Só soube fugir para além de tuas mãos, para a segurança da solidão. Eu? eu era Prince, eu era som, eu era o teu choro.
.
E todos os dias dedicava a tua paciência a minha infância, cuidava de mim como um ourives cuida da safira ao fogo. Provou da minha teimosia, foi anjo que aceitou  todas as minhas enfermidades, chorava comigo nas crises, amansava as dores.

Gritou comigo: resolva seu egoísmo, você é muito pequena pra isso! Eu quis te matar sabia, amor?

Você entendia que o amor quando trata, trata para deixar livre, deixar livre quem é selvagem. Você me prendeu com a ousadia de quem sabe voar.

Somos a excelência de Guitar Battle brindando a Purple Rain.