Fiquei sentada relembrando o cinismo da cena: minha entrada,
um susto, olhos avulsos e mãos que não conseguiam fechar as janelas.
Quando assusto geralmente sorrio, mas quando surpreendo,
silencio; e em silêncio me direciono até a geladeira, tomo água, deixo a bolsa
e os livros em cima da mesa, troco de sapatos, pego a carteira, as chaves e
saio. Compro os presentes de natal, sento na praça e só consigo pensar na série
de gestos - mal resolvidos, mas não confusos.
Eu me atrevo a dizer que aquela foi a deixa para eu terminar
de fazer as malas, mas o corpo quis deitar.
Não me deixe desconfiar, eu gosto de escrever.
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