Páginas

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Sobressalto de Sara

Hoje é um dia bonito, feito para um quarto escuro e vários filmes! Bem, o motivo deste post é meio que uma, como posso dizer (haha), já sei! Uma nota de esclarecimento, é... uma coisa tem me incomodado nos últimos dias, como uma coceirinha na palma da mão, sabe?!

Nessa semana, duas moças na faculdade me perguntaram sobre o blog - como sempre, me assustei, penso que as estatísticas vêm de um erro na pesquisa - quiseram saber sobre a criação, achei tão bonito como falavam, chegaram até mim com tamanha intimidade que, poxa... essa é a onda da minha alma, ter textos livres, nem sei se essa é a forma certa de dizer, mas tê-los entendidos pela gesto de um sonho, de uma viagem de mente, aquelas coisas que o coração só consegue falar com a alma (?!)... mais ou menos assim, bem, o que importa é que foi com  intimidade que falamos, que tratamos de algo nosso; ali, enquanto conversávamos - ela, mais eufórica que eu - notei o quanto a surpreendia o fato de eu ser como sou - ou como estava -, ela esperava uma Sara dona do espaço, quiçá mais afetada, é... esperam de mim mais afetação, ser uma nerdzinha vaidosa com as feridinhas no rosto não é uma imagem que rodeia muito o imaginário de quem me lê (hehe).

O negócio é que, ela me falava sobre trechos meus que eu nem  me lembrava ter escrito, me perguntava como surgiram, algumas vezes dizia quando ele te machucou. Oh, o velho susto! Eu quis, com simplicidade dizer a ela que ninguém havia me machucado, não daquela forma, não àquela forma; que tudo fazia parte de traços em mim, tem horas que olho pela janela, vejo a moça desolada na praça e, começo a fabular, a pensar nela como minha, ter o peito dela no meu, aí flui a nossa conversa, é um papo de encontro sem presença. Não tem a ver com a minha vida, não com o que toquei de fato - não digo realidade porque o que fantasio também é real - pensei que depois de falar essas coisas para a moça de cabelo cheio de brilho, seus olhos fugiriam  da minha atenção, mas não, ela simplesmente falou sobre Bia. E Bia, todos sabem, é minha explicação favorita.

Eu percebi que tinha uma dívida com quem me lê, tenho que explicar um pouquinho acerca de uma coisinhas, a começar por Bia, minha Beatriz, a menina que tanto aparece por aqui.  Ela é a parte de mim que é livre para as aventuras, é solta para um mundo que eu desconheço, ela aos poucos vem me dizer o que quer, de vez em quando ela clareia minha mente, ela me segreda alguma coisa que por lá, lá bem longe, viveu. Esta é Bia, essa sou eu.

Outro negócio importante, alimento o blog com os textos mais soltos que tenho, porque tenho aqueles que crio, que cuido comigo, entende?! Os que estou guardando, juntando para quem sabe uma impressão?! Háaaa! Um livro, umas crônicas... é... quem sabe. Vou aprimorar o pouquinho que sei. Por exemplo, vários textos que tenho aqui no blog, finalizo no caderninho, enrolo e desenrolo por lá... Vou trazer pra cá.

O mais importante é que, eu sou o que escrevo, não sendo eu no que falo, de que, quando risco, risco parte do quem desconheço, do que sinto atravessando...

O Cena 1, veio depois de um filme francês, que ficou grudado na minha cabeça a um quadrinho que havia lido antes de assistir... É assim que acontece, quando trato da mulher de franja que não quer envelhecer, sempre tenho uma imagem feita por Kundera em A Valsa dos Adeuses; em certo ponto do livro, ele narra a vida de uma estéril, fiz a imagem dela assim no pensamento, sofrida e com franja. Os versinhos de Bailarinas n'agua, são meus por inteiro, eu cuspi gesto por gesto, eu estava com elas, eu vi as meninas nuas, tinha por companhia Kundera  - A Insustentável Leveza do Ser - na beira da lagoa...

Sobre as canções,  nelas tenho meus retratos, lá... tudo bem pensado, cada harmonia bem demarcada, cada palavra dedicada. É um jeito gostoso de fazer amor, ao ritmo de si, nada mais. E sim, a coisa primorosa é Ele, que também é meu pai, meu filho, meu mestre, meu encontro, meu mistério. Ele, que veio a mim puro, igual ao ouro que eu derreto, sem machucados, curado, livre, que amou para aprender a me amar, que descreu para aprender a crer, que sofreu para estar em mim com alegria.

Sobre isso é bom falar, estávamos lá, olhando o que havíamos vivido e sendo gratos, gratos ao passado que nos ensinou, piedosos ao que havia se tornado, e como disse - uma vez e não mais -: a frustração afeta e apodrece. Mas há esperança aos que foram. Nós, dançamos para nossos pais.

É, é mais ou menos isso... preciso descer e comprar alguma coisa p comer.


2 comentários: