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sexta-feira, 20 de julho de 2012

' Olhando pra você


É que tem dias que meio escondida, coisa de criança
Eu paro e fico mesmo assim: olhando pra você
Bem desse jeito assim: descobrindo você.

É que nesses dias eu paro e grito, escondido de nós
Que eu desejava alguém assim, bem desse jeito assim
Então eu pego e fico: olhando pra você
Não de outro jeito, só assim: me descobrindo em você
Me cubro de você
Me cubro de você
Exatamente assim, bem desse jeito assim: olhando pra você.

' Ando assim meio perdida

Eu só procuro o mar quando não posso te alcançar
O meu mar é escondido, só encontro no sofrimento
O meu mar, senhor amor, é uma solidão meio medonha
Dessas coisas que a gente sonha para tirar em dias ruins
Só pra chorar meio escondido e aliviar o coração.


Esses versos e o meu mar são pobres em sofisticação
Mas é mesmo assim que eu sinto, numa indelicada indecisão:
Se o mar é coisa minha, porque quem manda é a solidão?
Fico cá meio perdida, perturbada e ofendida
Pelo fim de meu poema sem uma boa conclusão.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

' Beijo musicado

Eu gosto quando tu cantas 
Parece um namoro em que tua voz beija meus lábios 
Ou um poema em que o certo
 É ficar calado 
Para molhar um outro lábio
 Numa canção desconhecida 
Porque assim me parece a vida 
A cada beijo musicado.

terça-feira, 26 de junho de 2012

' Samara,

Samara falava e seu brinco balançava. Não compreendia nada, me prendia no balbucio risonho de sua boca rosada. Batia no quadro freneticamente ( seu dedo é magrelo), rebolava lentamente ao ritmo de sua voz - as batidas acompanhavam minha respiração e sua dança espontânea merecia minha devoção . Ela falava, eu a lia, ela olhava, eu escrevia, ela parava, eu cabia, ela apagava e eu, nada só sorria.

Minha aula de Direito, qualquer semelhança é mero devaneio.

' Inconstância eterna,

(...) Pinto quando escrevo com a euforia de um cachorro novo
                            me liberto quando danço, no desembaraço de uma puta velha
Eu escrevo enquanto flamo numa primeira inconstância eterna.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

' Coisa primorosa

Xá de preguiça, amor 
Esse medo que nós temos de nós dois 
É coisa de menino velho 
E eu não sou, 

                   Coisa pequeena 

 Pega e levanta, amor 
Recebe esse meu corpo que é só teu 
Fala mansinho jura pura
 Diz que é meu 
                   
                    coisa pequeena 

 Me agarra e dança, amor 
Essa dança e me embriaga em teu suor 
Juntos nós somos a real entrega e só
                                         
                                                 Coisa sereena.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

' O valsar que é Deus quem dança

Bia desalmada sob os braços de Arthur
Ela chora quando lança o piar
Do cururu

Velho sapo seu destino
Desatino enfantinado
Era Bia sua luz
e era Arthur o seu fado

Um rei seria mestre num tempo
Purulento
Seria mesmo frio senão fosse
O amigo vento

Mas é de Bia o meu choro
Minha clara lentidão
É a rainha arranhada
Ela é mendiga com o seu cão

É Arthur o que entranha nas margens de um destino
É o rei pobre e negro
Quase santo, deus menino

Mas é Bia sua escolha
Numa encolha tão cruel
Em sua espada com o Vento
Um só corte e um lamento
Traça o dono de uma Bia
Fere o sapo, toma ungüento
Era a moça e eu nas histórias
Agora é bia como lua
E eu no esquecimento

Sofri

' Espasmo conjugadoo

' Sei que o meu amado
tenha amado um outro lado
Sei que nesse lado
tem o fardo do passado
Sei que o meu cuidado
é o tardo que eu resguardo

Ah, sei que desse vida
ha quem cure tua ferida,
mas a cada traço que te enlaço
conto um passo,
se são tuas aquelas mãos,
se são tuas as declarações,
o que eu faço?!
Eu paro, sorrio, disfarço,
me caço e passo...

Sei que o meu amado
vai amar um outro lado.

' Sutil Pitaco; é

‘ Vamos lá, falando sobre afetação. Afetação segundo meu breve raciocínio, esse mesmo meu, de menina – claro, é o termo que eu aplico ao resultado oposto da obra já posta de um indivíduo disposto a infamar o outro: talento. E assim acrescento nesse envolvimento, o claro elemento que depõe o atento, o outro. O outro que não é penico e que por isso não aplico o tradicional, o moderno, o pós-moderno e o atual. Só por isso replico que o que eu explico não me interessa. E agora já vou, porque sim.

' ...

E tudo que demais me ama,
é o amor que sobre mim
te banha

' Movimento do tempo

Hoje pensei numa maturidade, olhando para as folhas secas do quintal da minha vizinha, vi que existem ondas que a sequidão impõe, eu me pareço com elas – as folhas. Cada vento um tintinlar do tempo, um momento, um movimento...
Lamento por minha nostalgia, e se passa o tempo
Cordeiro sem talento
Maltrapilho
E
Agorento
O vento
Eu sou folha
Por favor,
Nenhum mo
v-i
men
to...
Vulfluaaaar

' Bailarinas n'agua

‘ era o balé que eu sozinha aplaudia
Ela era Tereza, ou Cristina, só criança, era Bia
Se só dançavam eram as horas que a pedra sofria
E eu que lia, que pingava, refletia, beliscava, não cabia
Nesse embalo que menina não dá, os cabelos de Bia eram o meu manjar
Me batiam, eu para o sol, com as meninas o que gritava eram lâminas, as línguas, a cuca
E só os gritos empurravam o mito,

' Portela

Tinha uma vila que se chamava Portela
Tinha uma banda que tocava em minha janela
Tinha criança que caia na dança
Eram meninos que batiam em panelas

Tinha um maestro que parecia rei
Era uma arte que jorrava em toda parte
Era uma parte que me chamava para o combate
Eram meninos, eles pareciam negros,
É só isso que eu sei

Tinha uma moça que só rebolava
Ela era branquinha, era magra, era falsa
Nessa mentira tinha eu na porta,
Sambando com eles, ou com as porcas.

' O nome eu não sei

‘um lençol também reparte
A herança que o santo me deu
O lençol também é arte
É o encontro do meu com o teu

A arte é só quem parte
O infinito no escuro treleu
O alho também me arde
é a mistura do meu com o teu