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segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

' Só isso mesmo

Ah, mas se as músicas mais bonitas fossem só minhas!

' Mais nada, ser

E com mais afago matar todos os olhos que teu Deus me deu, veneno espiritual.

' Só

Toda chuva, um trovejai, a chegada de um turvo atordôo, de mulher eu sou a noite, nem do medo eu tenho traste, mais confusa que minha solidão é essa necessidade de todos os “mins” que a água traz...

' Do amor o puro é morte

,só que aquele passado era o que de mais espontâneo havia nele, era tudo que tinha; o vidro que não lhe refletia, mas o fazia fiel, suas dores nem eram casca de ferida... Sua roupa era pura, ele balançava o que de sempre era naquela mesma cadeira de balanço invisível desde o dia em que suas mãos arrancaram a alma dela.

' Pastiche

Um pontinho chamado orgulho, uma agulha chamada talento, um príncipe, uma cobra, um conto (eu invento). Pastiche.

'Aquelas coisas bobas que a manhã me sopra...

Agora é um declame, cada vez que eu canto fico mais branquinha que minha linhas absurdas, se eu canto... só canto, só canto. E talvez a música e minha voz, e os meus talentos dedilhados e muito pouco dedicados, sejam a frustração que me faz escrever para pensar, bem assim, sem nada, que nem Flaubert, velho amigo e amante que estuprou minha carne e torrou aquele velho espírito cantador que eu tinha, eu tinha, lá nos quinze anos... Que nem Flaubert que só é mal porque não sabe cantar.

Pronto, falei.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

' Num dia gente grande



Quando eu crescer e ficar vermelha, minha tia vai me traduzir, vai contar cada beijinho que eu der nas beiras, pelas manhas em que acordar de graça. Quando for grande vou fazer uma casa só de mármore, vou ficar lá, bem quietinha, paradinha... Um dia vou gritar, gritar bem fortão, e sabe, ninguém vai me ouvir, minha tia não vai me traduzir, gente grande fica preso nos gritos, aí eu vou ficar lá, lá na casa de mármore do cemitério da praça, mas não vai ter nadinha, porque gente grande espera, espera bem no fundo de um mausoléu, fico assim até amanhecer, e aí por bem menos que uma eternidade, nascerei novamente bem pequena e com alma nova, o detalhe serão as lembranças, uma mente que nunca foi criança, mas só que dessa vez eu não vou me prender, titia não vai me traduzir, (agora eu sorriu) eu vou ser poeta, Nara. 

' Idiotices juvenis

Responder ao silenciar
E não dizer que o mundo é triste
, bosta de palpite

' Idiotices juvenis

Quase nunca tudo falo, sempre nunca o tudo basta; não pense em mim, o inequívoco é não falar, invente um submerso.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Canção do nego meu

Talvez em cada chuva eu me fizesse deusa
Em todas as Deusas eu fosse tua
Cada vez que eu em ti fosse nosso amor
Te faria meu.
Todas as vezes que fosse meu
Eu te faria nu.
Em todas as vezes que me procurasse, nego
Eu me coubesse em tu.

'Chocolate

Nada mais doce que chocolate
De quatro no ato
Nada mais quente
Que beijo de rato no mato
Nada mais mentiroso

Que meu pensamento medroso
Nada mais perverso
Que minha infantilidade no verso
Nada mais forte

Que um gato subindo no poste
Nada mais cheiroso
que pit-zing gostoso

Nada mais besta
Que eu

' Pensamentos (nome da pasta)

Para cada arte, uma tempestade; não o choro, nem os gritos, mas a umidade, a sombra da inquietude, a perturbação que beira o medo. O artista tem olhos até nos dedos.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

' Disseram que eu voltei americanizada!

Toda liberdade do mundo pra dizer que não sei escrever, entenda, existem pontos, versos, letrinhas, essas coisinhas, aí existe eu, eu assim, bem assim mesmo, só de mim, daí então existem as linhazinhas que eu escrevo com aquelas palavrinhas que ninguém imagina, aí big-bung! Eu penso, escrevo, não transcrevo, nem tecnifico nada, eu só invento, bem levinho e mortal! Pra mim, bem aqui nas minhas coisinhas, que às vezes são íntimas, não existe pontuação cabível, nem palavras que me caibam. Nem o improvável me basta. Mas mesmo assim, você benzinho, agora falo com todo carinho do mundo, pode criticar, para isso também não existe expressão indefinida. Mais quem sabe um dia, lá um dia, numa manhã de agosto (eu gosto, sabe), nasça uma menininha bem linda, toda de cabelo pretinho, bem lisinho, e essa menina, bem pequenininha, saiba ser além daqui, saiba se fazer além de mim, aí, aí sim, eu digo: minha filha, você só nasceu porque é a liberdade que o mundo esperava para dizer que mamãe não sabe escrever. Não tenho nem 20 anos.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

' Morte eterna

Cada qual de si sabe o que tem – seria perfeito. Viver com o perdão da morte, uma crise coloquial, ontem uma pobre moça, hoje uma rainha, lenda, imortal. O rebolar de um no dia final, quando a grande flor vermelha se abre, me parece bonito, de noite, vaidosos, crentes, monumentários.
Gracinha

Sara Gessi