Páginas

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

' Num dia gente grande



Quando eu crescer e ficar vermelha, minha tia vai me traduzir, vai contar cada beijinho que eu der nas beiras, pelas manhas em que acordar de graça. Quando for grande vou fazer uma casa só de mármore, vou ficar lá, bem quietinha, paradinha... Um dia vou gritar, gritar bem fortão, e sabe, ninguém vai me ouvir, minha tia não vai me traduzir, gente grande fica preso nos gritos, aí eu vou ficar lá, lá na casa de mármore do cemitério da praça, mas não vai ter nadinha, porque gente grande espera, espera bem no fundo de um mausoléu, fico assim até amanhecer, e aí por bem menos que uma eternidade, nascerei novamente bem pequena e com alma nova, o detalhe serão as lembranças, uma mente que nunca foi criança, mas só que dessa vez eu não vou me prender, titia não vai me traduzir, (agora eu sorriu) eu vou ser poeta, Nara. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário