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quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Canção do nego meu

Talvez em cada chuva eu me fizesse deusa
Em todas as Deusas eu fosse tua
Cada vez que eu em ti fosse nosso amor
Te faria meu.
Todas as vezes que fosse meu
Eu te faria nu.
Em todas as vezes que me procurasse, nego
Eu me coubesse em tu.

'Chocolate

Nada mais doce que chocolate
De quatro no ato
Nada mais quente
Que beijo de rato no mato
Nada mais mentiroso

Que meu pensamento medroso
Nada mais perverso
Que minha infantilidade no verso
Nada mais forte

Que um gato subindo no poste
Nada mais cheiroso
que pit-zing gostoso

Nada mais besta
Que eu

' Pensamentos (nome da pasta)

Para cada arte, uma tempestade; não o choro, nem os gritos, mas a umidade, a sombra da inquietude, a perturbação que beira o medo. O artista tem olhos até nos dedos.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

' Disseram que eu voltei americanizada!

Toda liberdade do mundo pra dizer que não sei escrever, entenda, existem pontos, versos, letrinhas, essas coisinhas, aí existe eu, eu assim, bem assim mesmo, só de mim, daí então existem as linhazinhas que eu escrevo com aquelas palavrinhas que ninguém imagina, aí big-bung! Eu penso, escrevo, não transcrevo, nem tecnifico nada, eu só invento, bem levinho e mortal! Pra mim, bem aqui nas minhas coisinhas, que às vezes são íntimas, não existe pontuação cabível, nem palavras que me caibam. Nem o improvável me basta. Mas mesmo assim, você benzinho, agora falo com todo carinho do mundo, pode criticar, para isso também não existe expressão indefinida. Mais quem sabe um dia, lá um dia, numa manhã de agosto (eu gosto, sabe), nasça uma menininha bem linda, toda de cabelo pretinho, bem lisinho, e essa menina, bem pequenininha, saiba ser além daqui, saiba se fazer além de mim, aí, aí sim, eu digo: minha filha, você só nasceu porque é a liberdade que o mundo esperava para dizer que mamãe não sabe escrever. Não tenho nem 20 anos.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

' Morte eterna

Cada qual de si sabe o que tem – seria perfeito. Viver com o perdão da morte, uma crise coloquial, ontem uma pobre moça, hoje uma rainha, lenda, imortal. O rebolar de um no dia final, quando a grande flor vermelha se abre, me parece bonito, de noite, vaidosos, crentes, monumentários.
Gracinha

Sara Gessi

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

' Para o dia em que me aceitei

Minha confissão é ardilosa
Me lacrima nos olhos, salta no veneno do suor
Minha alma nem entristece nem morre
Em mim há descobertas

Minha conversa com Mário Quintana me fez chorar
De dor no sangue
Ele me disse o que já sabia
Ele me disse o que já me insone
Amigo eu sou poeta, amigo eu sou sozinha

Cecília me dividiu um segredo
Compartilhou o que já entendia
Cecília me disse assim: “a solidão e o silêncio”
Poeta, eu entendi
Poeta, não tenho chance
Poeta não importa
Meu espírito não se traga em alcance

Clarisse me injetou que a tristeza de nossos olhos
É sabedoria de um ciclo imortal
Mas uma coisa jamais esquecerei:
Nem sequer pra onde vamos.

' O encantamento das florzinhas

Visitei outro mundinho, era lá pelas saias da bela
Cantei com passarinhos e uma surpresa me deixou sem intento
Lá só tinha formigas com casas de cimento
Mas uma novidade por lá se passava
A todos que se via o que notava era a cara espantada
Até eu que sou acostumada com doidices
Abri a boca com aquela meninice

Flores não me mintam
Falem logo como é que é
- O negocio é o seguinte
Pelas saias de Bela
Caiu uma formiga doida
Que só falava te-té-té

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Lucas

Nossos encontros eram uma festa, criávamos deuses em nós! Éramos inocentes, flutuávamos de um no outro para uma dentro de mim.

Quando penso em Lucas, penso em suas camisas, seu perfume, o conforto, fazia daquilo a minha pele, pensava em mim como uma cobra mutante – todos os dias, em todos os encontros, trocava a minha pele, me fazia dele, mas nunca minha, nunca era eu, eu era ele, me tornava ele, tinha o cheiro que era íntimo dele, e me sentir assim me acalmava, guardava a minha liberdade, filtrava as filosofias, dançava, dançava, dançava sobre camisas, camisas que não eram minhas, roupas que me faziam Lucas.

Hoje, só uma coisa me entristece, não saber quem era aquele homem, quem era o homem, ou mulher, que estava por baixo das camisas de Lucas. Deus, como era boba. Não me recordo de nossas conversas, só me lembro de seu cheiro, sempre o mesmo perfume, e suas camisas... Mas e agora, como poderia ser Lucas?! Eu não o sabia, de quem eu me vestia, com quem me protegia. Deus, como fui boba!

Eu era uma farsa, era tudo perfume, o mais íntimo dele, preciso encontrar. Mente vagabunda não me abandone agora, vamos memória, vamos! E quem era Lucas?

Ser Mulher

Hoje me deu vontade de morrer
Morrer feito rosa, me cair, murchar, me matar.
Hoje sinto vontade de viver
Ser profunda, me abrir e fechar a vontades
Me encontro viva ou morta talvez
Dentro de mim
Cheia de espinhos
Nem me machucam, nem me protegem
Minha vontade é de viver e morrer
Nem meu olhar de fuga de almas alheias
Me encontram em tuas despedidas
Hoje minha vontade é só a mim
Me embalar, me encontrar, me conquistar
Me fazer de mim uma arte
Te falar, ser mais que rosa
Hoje a minha vontade é de ser mulher.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

' Bia de Sara e Tiago Rodrigues (desenhista)





Beatriz, Bia. Nossa menina.

' Coisa de menino

Me pego fazendo coisas de menino, minha senhora se não fosse eu, juro, te teria dado um fim. Consertar uma vida não é de ouro um elo derretido. Força, sem prática e ação, ontem éramos nós, hoje nem uma! Eu menino tu mulher, eu de ti por sim, tu... De nada por mim, Mas, meu bem e o fim? O outro, melhor o silêncio. Sonhar acordado ainda é coisa de menino.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

' Eu em você

Não sendo a melhor, a linda e juvenil. Te amei.
Amei como natureza, leveza, minha alma era sombra, estava contigo.
De estante, instante, nosso amor (meu amor) te ter, longe em nós.
Minhas lágrimas, nossas vidas, nossas mortes, nossas dores.
Vivi só, te amei.
Hoje assim, minha função.
Boa noite, livro.

' Vagabundinho

Vagabundinho que amou a Terezinha
Diga aí dona Teínha
Diga se vai ou não vai
Vida pequena, minha linda pequenina
Dona Preta e a pretinha
Que se atraca na barquinha, me beija
Roda e cai
Linda Tereza que abraça o menininho,
Entregou o vermelhinho, rebolou no vai e vai

Vagabundinho que amou a Terezinha
Acertou dona Teínha
Quando explode o neném sai

' Clarisse

Nada de menos na noite, Clarisse sempre me acompanha. Ela balança dançando no meio fio, toca fagote, se não fosse traiçoeira seria uma boa companhia.
Somos casadas, assim por nós mesmas, artistas! Loucuras juvenis. Nos damos, mas sem rodeios de amor... Ela é rasa, sou boa, a melhor. Escrevo, ela confunde as artes, se atua não ultrapassa, se escreve, joga palavras, se toca, não encanta, se declama não comove, nem move. Timidez, sua desculpa, aliás, a de muitos desafortunados, se não fosse minha honra já a teria abandonado, não existe mais broche, tudo em nós é como nada, ela de pele se entorna em outras cobertas, de inveja benigna se envenena, sofre!
De brava ilusão me vestia, não era amada, minhas conquistas dividia, ela louca, sem alma me matava. Só beijava o sopro dos desgostos que carrego comigo pelas madrugadas, sempre em enlace - de mãos dadas.
Clarisse sempre me acompanha, seus fagoteados em meio fio.


terça-feira, 20 de setembro de 2011

' Burra, burrinha

Imaginação minha de 30 segundos! Minha noite é de flerte Um romance vagabundo Nunca escrevo com razão Meu pulmão é de cabeça Caixa d’agua de sabão Versos idiotas, na morte minha Não tem suor Magro e magrela (banguela) De favela, martela remela Meus olhos grandes e ciganos Anos! Idade de bruxa que ama A saudade
Fiel Real Rea- Liah e idade Minha menina e os peixinhos? Escreve mal! Só mais, mais... Acabou. Pronto! Meu versinho é de trinta segundinhos (Plim).