Nossos encontros eram uma festa, criávamos deuses em nós! Éramos inocentes, flutuávamos de um no outro para uma dentro de mim.
Quando penso em Lucas, penso em suas camisas, seu perfume, o conforto, fazia daquilo a minha pele, pensava em mim como uma cobra mutante – todos os dias, em todos os encontros, trocava a minha pele, me fazia dele, mas nunca minha, nunca era eu, eu era ele, me tornava ele, tinha o cheiro que era íntimo dele, e me sentir assim me acalmava, guardava a minha liberdade, filtrava as filosofias, dançava, dançava, dançava sobre camisas, camisas que não eram minhas, roupas que me faziam Lucas.
Hoje, só uma coisa me entristece, não saber quem era aquele homem, quem era o homem, ou mulher, que estava por baixo das camisas de Lucas. Deus, como era boba. Não me recordo de nossas conversas, só me lembro de seu cheiro, sempre o mesmo perfume, e suas camisas... Mas e agora, como poderia ser Lucas?! Eu não o sabia, de quem eu me vestia, com quem me protegia. Deus, como fui boba!
Eu era uma farsa, era tudo perfume, o mais íntimo dele, preciso encontrar. Mente vagabunda não me abandone agora, vamos memória, vamos! E quem era Lucas?
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