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terça-feira, 28 de maio de 2013

Ao gozo lento

Bom dia, que saudade de escrever com tempo livre, de ler com tempo livre, de assistir, tomar sorvete, dormir, fuçar na internet com tempo livre... 

Mas tudo bem, a correria tem me ajudado muito, meus prazeres se tornam ainda mais valiosos. Olho pra minha lista de filmes e digo: é jazim viu, Bertolucci?! Não demora muito e eu volto, volto inteira.

Mas enfim, esse post não é para lamentos, é um post festivo, alegre, escrevo em comemoração. Viva a História, viva os historiadores, viva a intensidade, o compromisso, a profundidade e a sacanagem da erudição. Viva a Del Priore, viva.

Pois bem, sou uma admiradora confessa da historiadora Mary Del Priore, coleciono as falas, imposições, teses, aparições, me delicio com o que aprendo. A memória do meu tablet é dedicada a escrita dela, minha biblioteca virtual se preenche com ela. Agradável companhia.

Acontece que recentemente encontrei ali numa livraria, o livro que há tempos sonhava em ter (sonhava mesmo, mesmo, mesmo) Histórias Íntimas - Sexualidade e erotismo na história do Brasil. Foi o início de minha saga, do conta conta de moedinhas, de dinheiro poupado, precisava atingir meu alvo, aquele livro era minha emergência. Labutei, labutei até que me arranjei. E pimba! O livro era meu.

Depois de tê-lo em mãos, segui para a faculdade, estava atrasada para a monitoria de Direito Penal II - ah, tudo bem, feliz, meus passos se alargavam, minha boca se alargava, o tempo de espera em sala de aula se encurtava, o começo da leitura estava pertinho. Foi uma boa tarde aquela.

Desde então, minha liberdade dedico a ela. São intervalos, passeios, substituição da soneca...

O livro é lindo, a escrita encantadora, é ritmado, vivo. Ouve-se Renato Godá e Filipe Catto durante as leituras para alinhar-se ainda mais ao refinamento das falas. Troca-se o capítulo, alterna-se a música, ambienta-se compassadamente a outro modo de requinte: o requinte do texto dado. O requinte do estilo próprio.

Em Histórias Íntimas mescla-se sensações, num momento, ao se surpreender com a história contada, torna-se inevitável o sorriso, a gargalhada mesmo. Noutro, o asco. Daqui a poco, o dó, a compaixão. Contudo, o aprendizado vem página após página. Por mais que o desejo seja de devorar o livro de uma vez só, pra mim, ele foi feito para um gozo lento, ardência demorada na pele, beijos longos...

É assim, precisava falar o tanto que fosse sobre esse meu momento. À volonté para a aquisição do livro, depois me conte sobre seu gozo.



P.S.
Minha paciência anda pequena, sem interpretações, sem a palavra.

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