Bom dia, que saudade de escrever com tempo livre, de ler com tempo livre, de assistir, tomar sorvete, dormir, fuçar na internet com tempo livre...
Mas tudo bem, a correria tem me ajudado muito, meus prazeres se tornam ainda mais valiosos. Olho pra minha lista de filmes e digo: é jazim viu, Bertolucci?! Não demora muito e eu volto, volto inteira.
Mas enfim, esse post não é para lamentos, é um post festivo, alegre, escrevo em comemoração. Viva a História, viva os historiadores, viva a intensidade, o compromisso, a profundidade e a sacanagem da erudição. Viva a Del Priore, viva.
Pois bem, sou uma admiradora confessa da historiadora Mary Del Priore, coleciono as falas, imposições, teses, aparições, me delicio com o que aprendo. A memória do meu tablet é dedicada a escrita dela, minha biblioteca virtual se preenche com ela. Agradável companhia.
Acontece que recentemente encontrei ali numa livraria, o livro que há tempos sonhava em ter (sonhava mesmo, mesmo, mesmo) Histórias Íntimas - Sexualidade e erotismo na história do Brasil. Foi o início de minha saga, do conta conta de moedinhas, de dinheiro poupado, precisava atingir meu alvo, aquele livro era minha emergência. Labutei, labutei até que me arranjei. E pimba! O livro era meu.
Depois de tê-lo em mãos, segui para a faculdade, estava atrasada para a monitoria de Direito Penal II - ah, tudo bem, feliz, meus passos se alargavam, minha boca se alargava, o tempo de espera em sala de aula se encurtava, o começo da leitura estava pertinho. Foi uma boa tarde aquela.
Desde então, minha liberdade dedico a ela. São intervalos, passeios, substituição da soneca...
O livro é lindo, a escrita encantadora, é ritmado, vivo. Ouve-se Renato Godá e Filipe Catto durante as leituras para alinhar-se ainda mais ao refinamento das falas. Troca-se o capítulo, alterna-se a música, ambienta-se compassadamente a outro modo de requinte: o requinte do texto dado. O requinte do estilo próprio.
Em Histórias Íntimas mescla-se sensações, num momento, ao se surpreender com a história contada, torna-se inevitável o sorriso, a gargalhada mesmo. Noutro, o asco. Daqui a poco, o dó, a compaixão. Contudo, o aprendizado vem página após página. Por mais que o desejo seja de devorar o livro de uma vez só, pra mim, ele foi feito para um gozo lento, ardência demorada na pele, beijos longos...
É assim, precisava falar o tanto que fosse sobre esse meu momento. À volonté para a aquisição do livro, depois me conte sobre seu gozo.
P.S.
Minha paciência anda pequena, sem interpretações, sem a palavra.

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