Quando a noite chegou, me senti liberta. Com o ritual de amor próprio que há pouco havia aprendido, arranquei o velho vestido preto decotado do armário, a lingerie mais cara me tocava, de meias três quarto e batom vermelho, me admirei no espelho, era uma perfeita viúva desregrada. Ele, deitado no sofá da sala, assistia uma coisa qualquer, o que lhe servisse melhor que eu.
Enquanto encarava minha decisão frente ao espelho, chorava, doía, mas o choro é amansador. A hora perfeita era aquela, peguei meu celular, minha bolsa, chequei a carteira, revirei meus documentos; me sentei de novo na cama, chorei. Levantei, ainda com soluços discretos, me perfumei. Fui a sala, beijei Arthur na testa, disse adeus. Ele, atordoado, me encarou enraivecido, num só golpe se levantou do sofá e me tirou de frente da TV.
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