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terça-feira, 18 de dezembro de 2012

A paixão é assustadora

Às vezes fico me beliscando, tapeando pra ver se ainda estou aqui, se ainda existo. 
Que coisa louca esse negócio de a outra pessoa ocupar todo o espaço que existe em você, pior ainda é que vai além, vai além de seu próprio corpo; ele fica lá, na cadeira da varanda, no livro de Sociologia, na mesa, no birô, na torneira da cozinha. E, ainda, nos trejeitos alheios, nos rostos estranhos na rua, nas atendentes infelizes do Paraíba. Você se assusta de sobressalto porque, essa loucura de espaços ocupados é o que te deixa feliz, é o que te dá segurança, é a forma mais delicada de ser palhaça, de ser boba.
Como pode?! Só estando louca. Ah, tem dias que dá vontade até de apertar a campainha só pra sentir aquele friozinho na barriga, ouvir barulho, é o barulhinho sinfônico da chegada dele, é o sinal: agora ele ocupa só o meu abraço.

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