Disciplina, pequena; é disso que você precisa! Esta é minha
ladainha diária, horária, segundo após segundo. “Eu preciso de disciplina, eu
preciso de disciplina”, mas qual? Dentre tantos afazeres me disponho a fazer
todos, acordar cedo – é... (risos), tomar baninho, café da manhã, colocar meus
livros a postos e começar minha dedicada viagem aos labirintos do Direito, por
suas vias mais obscuras. Eu começo, eu leio, eu estudo, eu entendo, até aplico
e é gostoso. Mas então... olho para o lado, vejo meus livros favoritos, sinto
Cecília Meireles me chamando para entender sua crônicas, Esopo para que
compreenda a moral das fábulas, Machado de Assis para que não me desanime com a
vida, Dostoiévski, o homem que é meu outro lado. Então... Adeus disciplina! Me
rendo, vou para uma diversão diferente, vou para o pouco compromisso com a
realidade, vou para o que é meu. Me desarmo, aí depois vem a agonia: Tenho
estudo de caso para entregar daqui a pouco! Deus, Direito Civil! E agora? E
agora? Bem, ainda tenho meia hora, vamos ver, vamos ver... dá tempo, leio e
respondo. E o tempo? Deu tempo, mas e o atraso? Há tempo. Eu e o relógio não
nos damos, chego atrasada. Entrego o trabalho poucos instantes antes do término
da aula. Mas quer saber? Eu cumpri o que me propus muito antes da disciplina,
eu prometi a mim mesma: o que me fizer feliz. Aprendo o que deveria, me divirto
com o que gosto, e depois... ando lentamente pelas ruas do centro de Caxias
ouvindo Zaz e me desenrolando no francês. Se o trabalho sempre for recebido, me
contento; dever cumprido.

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