Cada qual de si sabe o que tem – seria perfeito. Viver com o perdão da morte, uma crise coloquial, ontem uma pobre moça, hoje uma rainha, lenda, imortal. O rebolar de um no dia final, quando a grande flor vermelha se abre, me parece bonito, de noite, vaidosos, crentes, monumentários.
Gracinha
Sara Gessi
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
' Para o dia em que me aceitei
Minha confissão é ardilosa
Me lacrima nos olhos, salta no veneno do suor
Minha alma nem entristece nem morre
Em mim há descobertas
Minha conversa com Mário Quintana me fez chorar
De dor no sangue
Ele me disse o que já sabia
Ele me disse o que já me insone
Amigo eu sou poeta, amigo eu sou sozinha
Cecília me dividiu um segredo
Compartilhou o que já entendia
Cecília me disse assim: “a solidão e o silêncio”
Poeta, eu entendi
Poeta, não tenho chance
Poeta não importa
Meu espírito não se traga em alcance
Clarisse me injetou que a tristeza de nossos olhos
É sabedoria de um ciclo imortal
Mas uma coisa jamais esquecerei:
Nem sequer pra onde vamos.
Me lacrima nos olhos, salta no veneno do suor
Minha alma nem entristece nem morre
Em mim há descobertas
Minha conversa com Mário Quintana me fez chorar
De dor no sangue
Ele me disse o que já sabia
Ele me disse o que já me insone
Amigo eu sou poeta, amigo eu sou sozinha
Cecília me dividiu um segredo
Compartilhou o que já entendia
Cecília me disse assim: “a solidão e o silêncio”
Poeta, eu entendi
Poeta, não tenho chance
Poeta não importa
Meu espírito não se traga em alcance
Clarisse me injetou que a tristeza de nossos olhos
É sabedoria de um ciclo imortal
Mas uma coisa jamais esquecerei:
Nem sequer pra onde vamos.
' O encantamento das florzinhas
Visitei outro mundinho, era lá pelas saias da bela
Cantei com passarinhos e uma surpresa me deixou sem intento
Lá só tinha formigas com casas de cimento
Mas uma novidade por lá se passava
A todos que se via o que notava era a cara espantada
Até eu que sou acostumada com doidices
Abri a boca com aquela meninice
Flores não me mintam
Falem logo como é que é
- O negocio é o seguinte
Pelas saias de Bela
Caiu uma formiga doida
Que só falava te-té-té
Cantei com passarinhos e uma surpresa me deixou sem intento
Lá só tinha formigas com casas de cimento
Mas uma novidade por lá se passava
A todos que se via o que notava era a cara espantada
Até eu que sou acostumada com doidices
Abri a boca com aquela meninice
Flores não me mintam
Falem logo como é que é
- O negocio é o seguinte
Pelas saias de Bela
Caiu uma formiga doida
Que só falava te-té-té
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
Lucas
Nossos encontros eram uma festa, criávamos deuses em nós! Éramos inocentes, flutuávamos de um no outro para uma dentro de mim.
Quando penso em Lucas, penso em suas camisas, seu perfume, o conforto, fazia daquilo a minha pele, pensava em mim como uma cobra mutante – todos os dias, em todos os encontros, trocava a minha pele, me fazia dele, mas nunca minha, nunca era eu, eu era ele, me tornava ele, tinha o cheiro que era íntimo dele, e me sentir assim me acalmava, guardava a minha liberdade, filtrava as filosofias, dançava, dançava, dançava sobre camisas, camisas que não eram minhas, roupas que me faziam Lucas.
Hoje, só uma coisa me entristece, não saber quem era aquele homem, quem era o homem, ou mulher, que estava por baixo das camisas de Lucas. Deus, como era boba. Não me recordo de nossas conversas, só me lembro de seu cheiro, sempre o mesmo perfume, e suas camisas... Mas e agora, como poderia ser Lucas?! Eu não o sabia, de quem eu me vestia, com quem me protegia. Deus, como fui boba!
Eu era uma farsa, era tudo perfume, o mais íntimo dele, preciso encontrar. Mente vagabunda não me abandone agora, vamos memória, vamos! E quem era Lucas?
Quando penso em Lucas, penso em suas camisas, seu perfume, o conforto, fazia daquilo a minha pele, pensava em mim como uma cobra mutante – todos os dias, em todos os encontros, trocava a minha pele, me fazia dele, mas nunca minha, nunca era eu, eu era ele, me tornava ele, tinha o cheiro que era íntimo dele, e me sentir assim me acalmava, guardava a minha liberdade, filtrava as filosofias, dançava, dançava, dançava sobre camisas, camisas que não eram minhas, roupas que me faziam Lucas.
Hoje, só uma coisa me entristece, não saber quem era aquele homem, quem era o homem, ou mulher, que estava por baixo das camisas de Lucas. Deus, como era boba. Não me recordo de nossas conversas, só me lembro de seu cheiro, sempre o mesmo perfume, e suas camisas... Mas e agora, como poderia ser Lucas?! Eu não o sabia, de quem eu me vestia, com quem me protegia. Deus, como fui boba!
Eu era uma farsa, era tudo perfume, o mais íntimo dele, preciso encontrar. Mente vagabunda não me abandone agora, vamos memória, vamos! E quem era Lucas?
Ser Mulher
Hoje me deu vontade de morrer
Morrer feito rosa, me cair, murchar, me matar.
Hoje sinto vontade de viver
Ser profunda, me abrir e fechar a vontades
Me encontro viva ou morta talvez
Dentro de mim
Cheia de espinhos
Nem me machucam, nem me protegem
Minha vontade é de viver e morrer
Nem meu olhar de fuga de almas alheias
Me encontram em tuas despedidas
Hoje minha vontade é só a mim
Me embalar, me encontrar, me conquistar
Me fazer de mim uma arte
Te falar, ser mais que rosa
Hoje a minha vontade é de ser mulher.
Morrer feito rosa, me cair, murchar, me matar.
Hoje sinto vontade de viver
Ser profunda, me abrir e fechar a vontades
Me encontro viva ou morta talvez
Dentro de mim
Cheia de espinhos
Nem me machucam, nem me protegem
Minha vontade é de viver e morrer
Nem meu olhar de fuga de almas alheias
Me encontram em tuas despedidas
Hoje minha vontade é só a mim
Me embalar, me encontrar, me conquistar
Me fazer de mim uma arte
Te falar, ser mais que rosa
Hoje a minha vontade é de ser mulher.
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
' Coisa de menino
Me pego fazendo coisas de menino, minha senhora se não fosse eu, juro, te teria dado um fim. Consertar uma vida não é de ouro um elo derretido. Força, sem prática e ação, ontem éramos nós, hoje nem uma! Eu menino tu mulher, eu de ti por sim, tu... De nada por mim, Mas, meu bem e o fim? O outro, melhor o silêncio. Sonhar acordado ainda é coisa de menino.
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
' Eu em você
Não sendo a melhor, a linda e juvenil. Te amei.
Amei como natureza, leveza, minha alma era sombra, estava contigo.
De estante, instante, nosso amor (meu amor) te ter, longe em nós.
Minhas lágrimas, nossas vidas, nossas mortes, nossas dores.
Vivi só, te amei.
Hoje assim, minha função.
Boa noite, livro.
Amei como natureza, leveza, minha alma era sombra, estava contigo.
De estante, instante, nosso amor (meu amor) te ter, longe em nós.
Minhas lágrimas, nossas vidas, nossas mortes, nossas dores.
Vivi só, te amei.
Hoje assim, minha função.
Boa noite, livro.
' Vagabundinho
Vagabundinho que amou a Terezinha
Diga aí dona Teínha
Diga se vai ou não vai
Vida pequena, minha linda pequenina
Dona Preta e a pretinha
Que se atraca na barquinha, me beija
Roda e cai
Linda Tereza que abraça o menininho,
Entregou o vermelhinho, rebolou no vai e vai
Vagabundinho que amou a Terezinha
Acertou dona Teínha
Quando explode o neném sai
Diga aí dona Teínha
Diga se vai ou não vai
Vida pequena, minha linda pequenina
Dona Preta e a pretinha
Que se atraca na barquinha, me beija
Roda e cai
Linda Tereza que abraça o menininho,
Entregou o vermelhinho, rebolou no vai e vai
Vagabundinho que amou a Terezinha
Acertou dona Teínha
Quando explode o neném sai
' Clarisse
Nada de menos na noite, Clarisse sempre me acompanha. Ela balança dançando no meio fio, toca fagote, se não fosse traiçoeira seria uma boa companhia.
Somos casadas, assim por nós mesmas, artistas! Loucuras juvenis. Nos damos, mas sem rodeios de amor... Ela é rasa, sou boa, a melhor. Escrevo, ela confunde as artes, se atua não ultrapassa, se escreve, joga palavras, se toca, não encanta, se declama não comove, nem move. Timidez, sua desculpa, aliás, a de muitos desafortunados, se não fosse minha honra já a teria abandonado, não existe mais broche, tudo em nós é como nada, ela de pele se entorna em outras cobertas, de inveja benigna se envenena, sofre!
De brava ilusão me vestia, não era amada, minhas conquistas dividia, ela louca, sem alma me matava. Só beijava o sopro dos desgostos que carrego comigo pelas madrugadas, sempre em enlace - de mãos dadas.
Clarisse sempre me acompanha, seus fagoteados em meio fio.
Somos casadas, assim por nós mesmas, artistas! Loucuras juvenis. Nos damos, mas sem rodeios de amor... Ela é rasa, sou boa, a melhor. Escrevo, ela confunde as artes, se atua não ultrapassa, se escreve, joga palavras, se toca, não encanta, se declama não comove, nem move. Timidez, sua desculpa, aliás, a de muitos desafortunados, se não fosse minha honra já a teria abandonado, não existe mais broche, tudo em nós é como nada, ela de pele se entorna em outras cobertas, de inveja benigna se envenena, sofre!
De brava ilusão me vestia, não era amada, minhas conquistas dividia, ela louca, sem alma me matava. Só beijava o sopro dos desgostos que carrego comigo pelas madrugadas, sempre em enlace - de mãos dadas.
Clarisse sempre me acompanha, seus fagoteados em meio fio.
terça-feira, 20 de setembro de 2011
' Burra, burrinha
Imaginação minha de 30 segundos!
Minha noite é de flerte
Um romance vagabundo
Nunca escrevo com razão
Meu pulmão é de cabeça
Caixa d’agua de sabão
Versos idiotas, na morte minha
Não tem suor
Magro e magrela (banguela)
De favela, martela remela
Meus olhos grandes e ciganos
Anos!
Idade de bruxa que ama
A saudade
Fiel
Real
Rea- Liah e idade
Minha menina e os peixinhos?
Escreve mal! Só mais, mais...
Acabou. Pronto!
Meu versinho é de trinta segundinhos (Plim).
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
' A Garra
Minhas unhas me arranham
arregaçam minha alma
Minhas unhas me sufocam
Enforcam minha galha
Minha galha não mais fala
Minha fala toca a alma
Minha unhas me arranham
Arregaçam minha galha
arregaçam minha alma
Minhas unhas me sufocam
Enforcam minha galha
Minha galha não mais fala
Minha fala toca a alma
Minha unhas me arranham
Arregaçam minha galha
'Beatriz em mim
Ela confiou em mim
Ela me entregou a mente
Ela me presenteou
Ela me entregou seu coração
Ela não sabe
Ela me matou
Era tudo verdade
No inferno sinto sua dor
Ela me entregou a mente
Ela me presenteou
Ela me entregou seu coração
Ela não sabe
Ela me matou
Era tudo verdade
No inferno sinto sua dor
' Suspiro
É saudade que vem e que passa
Te eleva no sonho da ninfa
Minha pequena e tão bela alma
Disfarça
Sobre mim, à noite
arte
leveza que navega comigo de mãos dadas
me faz falar com estrelas e pássaros
as crianças sorriem de minha desgraça
passa
disfarça
graça
solidão, os pés que não me escutam
a mente que ofusca o peito
meu nobre coração de vagabundo
o eu que de mim me mata
se afasta,
arrasta
traça
Meu sangue, teu ar
Meu último suspiro
Te eleva no sonho da ninfa
Minha pequena e tão bela alma
Disfarça
Sobre mim, à noite
arte
leveza que navega comigo de mãos dadas
me faz falar com estrelas e pássaros
as crianças sorriem de minha desgraça
passa
disfarça
graça
solidão, os pés que não me escutam
a mente que ofusca o peito
meu nobre coração de vagabundo
o eu que de mim me mata
se afasta,
arrasta
traça
Meu sangue, teu ar
Meu último suspiro
sábado, 23 de julho de 2011
' Desafio
Fiquei sabendo que o andar é da menina
Que na roça lava roupa na bacia
Fiquei sabendo que o melão é da menina
Que é ela colhe, colhe e bota
Que ela bota, corta e esfria
E quando dança ela balança sua cintura
O seu cabelo é de seda do deserto
Rasga o vestido no balanço e ela costura
Costura o vestidinho e balança no xaxado
Ela costura seu vestido e balança no xaxado.
Que na roça lava roupa na bacia
Fiquei sabendo que o melão é da menina
Que é ela colhe, colhe e bota
Que ela bota, corta e esfria
E quando dança ela balança sua cintura
O seu cabelo é de seda do deserto
Rasga o vestido no balanço e ela costura
Costura o vestidinho e balança no xaxado
Ela costura seu vestido e balança no xaxado.
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