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terça-feira, 26 de junho de 2012

' Inconstância eterna,

(...) Pinto quando escrevo com a euforia de um cachorro novo
                            me liberto quando danço, no desembaraço de uma puta velha
Eu escrevo enquanto flamo numa primeira inconstância eterna.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

' Coisa primorosa

Xá de preguiça, amor 
Esse medo que nós temos de nós dois 
É coisa de menino velho 
E eu não sou, 

                   Coisa pequeena 

 Pega e levanta, amor 
Recebe esse meu corpo que é só teu 
Fala mansinho jura pura
 Diz que é meu 
                   
                    coisa pequeena 

 Me agarra e dança, amor 
Essa dança e me embriaga em teu suor 
Juntos nós somos a real entrega e só
                                         
                                                 Coisa sereena.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

' O valsar que é Deus quem dança

Bia desalmada sob os braços de Arthur
Ela chora quando lança o piar
Do cururu

Velho sapo seu destino
Desatino enfantinado
Era Bia sua luz
e era Arthur o seu fado

Um rei seria mestre num tempo
Purulento
Seria mesmo frio senão fosse
O amigo vento

Mas é de Bia o meu choro
Minha clara lentidão
É a rainha arranhada
Ela é mendiga com o seu cão

É Arthur o que entranha nas margens de um destino
É o rei pobre e negro
Quase santo, deus menino

Mas é Bia sua escolha
Numa encolha tão cruel
Em sua espada com o Vento
Um só corte e um lamento
Traça o dono de uma Bia
Fere o sapo, toma ungüento
Era a moça e eu nas histórias
Agora é bia como lua
E eu no esquecimento

Sofri

' Espasmo conjugadoo

' Sei que o meu amado
tenha amado um outro lado
Sei que nesse lado
tem o fardo do passado
Sei que o meu cuidado
é o tardo que eu resguardo

Ah, sei que desse vida
ha quem cure tua ferida,
mas a cada traço que te enlaço
conto um passo,
se são tuas aquelas mãos,
se são tuas as declarações,
o que eu faço?!
Eu paro, sorrio, disfarço,
me caço e passo...

Sei que o meu amado
vai amar um outro lado.

' Sutil Pitaco; é

‘ Vamos lá, falando sobre afetação. Afetação segundo meu breve raciocínio, esse mesmo meu, de menina – claro, é o termo que eu aplico ao resultado oposto da obra já posta de um indivíduo disposto a infamar o outro: talento. E assim acrescento nesse envolvimento, o claro elemento que depõe o atento, o outro. O outro que não é penico e que por isso não aplico o tradicional, o moderno, o pós-moderno e o atual. Só por isso replico que o que eu explico não me interessa. E agora já vou, porque sim.

' ...

E tudo que demais me ama,
é o amor que sobre mim
te banha

' Movimento do tempo

Hoje pensei numa maturidade, olhando para as folhas secas do quintal da minha vizinha, vi que existem ondas que a sequidão impõe, eu me pareço com elas – as folhas. Cada vento um tintinlar do tempo, um momento, um movimento...
Lamento por minha nostalgia, e se passa o tempo
Cordeiro sem talento
Maltrapilho
E
Agorento
O vento
Eu sou folha
Por favor,
Nenhum mo
v-i
men
to...
Vulfluaaaar

' Bailarinas n'agua

‘ era o balé que eu sozinha aplaudia
Ela era Tereza, ou Cristina, só criança, era Bia
Se só dançavam eram as horas que a pedra sofria
E eu que lia, que pingava, refletia, beliscava, não cabia
Nesse embalo que menina não dá, os cabelos de Bia eram o meu manjar
Me batiam, eu para o sol, com as meninas o que gritava eram lâminas, as línguas, a cuca
E só os gritos empurravam o mito,

' Portela

Tinha uma vila que se chamava Portela
Tinha uma banda que tocava em minha janela
Tinha criança que caia na dança
Eram meninos que batiam em panelas

Tinha um maestro que parecia rei
Era uma arte que jorrava em toda parte
Era uma parte que me chamava para o combate
Eram meninos, eles pareciam negros,
É só isso que eu sei

Tinha uma moça que só rebolava
Ela era branquinha, era magra, era falsa
Nessa mentira tinha eu na porta,
Sambando com eles, ou com as porcas.

' O nome eu não sei

‘um lençol também reparte
A herança que o santo me deu
O lençol também é arte
É o encontro do meu com o teu

A arte é só quem parte
O infinito no escuro treleu
O alho também me arde
é a mistura do meu com o teu

' Um

Nós dois juntos num só samba
Suores doces que embalam a paz,
eu descubro os teus temperos,
tu reparte os meus umbrais.

' Bicho da Prissiguida

No ventre de sinhá mulher
Tem carqué coisa desconhecida
Mãe diz que é semente bruta
Preta fala que é o bicho
Da prissiguida

sábado, 14 de janeiro de 2012

' Microconto Fazente... É, depois vem um título, um fim...

... E depois, eu nunca me interessei por sapatos. Um jogo de espíritos, uma luta conjuntural, nada mais fazia sentido. Disquei seu número:
-nada, não fala nada por mim, tenho medo, só isso...
-Sophie, eu não falo a ti
-eu sei, eu sei, mas, foi horrível! Cada curva, minhas pernas, minhas marcas, não sei se me quero, cortei meu cabelo, tenho novas roupas, encaro as pessoas...
- É isso Sophie?
-não quero Paulo, minhas cartas, minha pureza, todas as vezes que me encantei com minhas fotografias, meus jarros eram sempre de pó, por Deus, eu sou cristã.
-é cristã, Sophie
- Não, não! Eu andei, andei muito, fui lá nas improváveis, me encontrei forte,leve, nem mulher nem vida, tinha uma moça, Angélica, tomei assim a sua identidade, ela me matou, disse que eu era o pó dos jarros, as fotografias desgrafadas, os desencontros de espírito. Eu entendi Paulo, eu sou aquilo que de nada se quer, a psique de papel, não fala nada por mim...
-Sophie, morei em ti eternamente até o fim, minha alma se casou com a tua, horizontalmente era o amor inclinado, nosso ponto era o máximo. Feliz Sophie? Não, pesados. Cheios de anjos, fadas e querubins, línguas de palmeira, sexo de rosa. E quem somos Sophie?! O pó dos jarros dos querubins, nem grãos de areia são físicos. Nós? Nem química, nem arte, uma descoberta, todos os livros não lidos, as aventuras estruturais.
-quando me olho no espelho eu sinto vergonha, sem respostas; meu egoísmo, minha infância, as fotografias, o tempo que eu sempre quis guardar, eu sofro, o tempo parou, meu rosto é o mesmo, os pés, os pés Paulo! As fotografias.
- Meu bem, eu te reflito, me faço por ti um tempo perdido todos os dias, na infância eu também tinha pés, eu era os pés, eu sou o pé, o sustentador de sonhos, teu cata-vento, eu sei do teu raciocínio, acho até tua loucura louvável, mas olhe: o sono, a vida sublime do não ter forças para vencer, o sono, o peso, a morte, o invencível, o anjo sem cor, ele Sophie ainda é teu. Dorme, teu sono te vence, sonha, teus espíritos perdem, se deixe pesar. Boa noite querida, amanhã talvez.
-tá...
Imagino ser melhor assim, Sophie é infanta quando resiste a aceitação, quem não se faz assim ao descobrir que de certo é seu o espírito que lhe enfrenta todos os dias e o deixa irreconhecível em frente ao espelho, os traços, o passado resguardado que só ele conhece, viu como senhor e não se inferioriza, se humaniza e se deixa ser refletido como é. O espelho que nos encara com horror e nos desmascara com terríveis inverdades desincorporadas, o espelho de Sophie, o espelho humano, a imaterialidade desregrada sem fluxo do ser, do reconhecer, do saber, do dizer e do aceitar. Sophie sofre; humanos também, mesmo sendo pés de Paulo.

Me deixe clarividenciar este espaço. Sophie é mulher, Paulo usa roupas velhas e alinhadas, Sophie ainda morre, Paulo é escritor.

Escrever é falar, Paulo pouco fala, ele canta, suas histórias são canções escritas por ele quando não pensa. Talvez se ele confiasse nos sentimentos, se ele encontrasse o que Sophie procura, talvez se eles se aceitassem talvez a completude fosse possível.
O apelo familiar afastava Sophie de Paulo, via nele ela mesma, mas nela se via seu pai, pai era seu, o seu seria sempre seu pai, seu pai nunca lhe deu, o seu/eu nunca aceitaria amor, Sophie é de Paulo, Paulo não viu Sophie. Todas as manhãs as mesmas coisinhas de mulher, acordava, pensava, chocava sua vida com as fotografias, levantava, planejava, banhava, se dava, comia e pintava uma mulher de alma. Alma é essência em Sophie, ela é pinta quadros, tem cor de cigarro na tela de Paulo, sua tela é de papel, alem de cantar, ele pinta quando escreve, Sophie pensa papel.
Uma mulher e uma alma não são irmãs, uma mulher e uma alma são caixas e sabão, mulher, a prisão, o não, a vida de alguém, as chaves, a cola, o produto, a venda; mulher, frágil? Sim, se a alma não tiver bolhas, o sabão, a mulher, o encontro, os fluentes, o perfume, a essência, o descaso, os frutos, o querer, o translúcido. Mulher, alma, filosofias e tardes. Encantos e reflexões, as horas que se chocam, a vida que luta; o real que borbulha.



II
Do Paulo de pés, nem o cabelo. Três anos, o tempo que não completa, Sophie é corpo, uma longe fivela, os sapatos de Paulo, o retrato na porta, o batom no espelho, a mancha no azulejo.
- Oi, um espanto e três lágrimas escorridas do mesmo olho – o esquerdo.
- Eu entendo, eu até voei até aqui, você... Bem, você veio, eu queria mesmo ser assim; Oi...
- Sophie, cabelos leves, pode entrar, não tenho jarros, varri a casa e seu retrato ainda está na porta.
Cada ano, cada lágrima, nenhuma história, eram seres humanos sem marca, Paulo cuspiu na pia, era louça marrom, mas o que de fato queria era vomitar cada espanto e abraçar a sua mulher, 22 anos, sem sardas, era Sophie, ela era dele, era a mulher em Paulo.