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sábado, 17 de novembro de 2012

A realeza de Ester


Sempre ficava confusa pela manhã, era como se algo fosse perdido durante a noite, talvez seja apenas a ressaca de fantasias que a realidade trazia, mas Ester demorava a se recompor. Durante o banho escrevia vários poemas, cantarolava novas canções, pensava até em arranjo pra o violino – o banho se tornava uma extensão dos primeiros sonhos.

 Enquanto preparava seu café, se imaginava morando no campo, conseguia até sentir o cheiro da relva matinal, fazia de conta que a margarina era manteiga fresca e que o café tinha sido colhido no quintal. Esquecida de sua vida campestre, esticava seu notebook na mesa, ao lado, uma torre de livros e começava a estudar; ficava se imaginando uma mente importante, com grandes responsabilidades quanto ao estudo social do crime. 

A terra de Ester era a mesma terra da infância, com o mesmo cheiro de água molhada, com as mesmas mãos criando castelos, com a mesma mente fabulando com pedras, arranjando um destino perdido para alguma flor de feijão ou pé de goiaba. Ester cresceu, deveria ser mais astuta, pelo menos mais racional, Deus lhe deu uma mente brilhante, poderia ser destaque intelectual, mas qual?! Ester é poeta, assim sempre será.

Em qualquer cidade que chegar será saudada pelos súditos que se curvarão na beira da estrada, acenando com uma flor na mão, as crianças nos ombros dos pais, sorrindo e gritando por seu nome.

Todos sabem, todos notam a realeza de Ester.

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