Sempre ficava confusa pela manhã, era como se algo fosse
perdido durante a noite, talvez seja apenas a ressaca de fantasias que a
realidade trazia, mas Ester demorava a se recompor. Durante o banho escrevia
vários poemas, cantarolava novas canções, pensava até em arranjo pra o violino –
o banho se tornava uma extensão dos primeiros sonhos.
Enquanto preparava seu
café, se imaginava morando no campo, conseguia até sentir o cheiro da relva
matinal, fazia de conta que a margarina era manteiga fresca e que o café tinha
sido colhido no quintal. Esquecida de sua vida campestre, esticava seu notebook
na mesa, ao lado, uma torre de livros e começava a estudar; ficava se
imaginando uma mente importante, com grandes responsabilidades quanto ao estudo
social do crime.
A terra de Ester era a mesma terra da infância, com o mesmo
cheiro de água molhada, com as mesmas mãos criando castelos, com a mesma mente
fabulando com pedras, arranjando um destino perdido para alguma flor de feijão
ou pé de goiaba. Ester cresceu, deveria ser mais astuta, pelo menos mais
racional, Deus lhe deu uma mente brilhante, poderia ser destaque intelectual,
mas qual?! Ester é poeta, assim sempre será.
Em qualquer cidade que chegar será saudada pelos súditos que se curvarão na beira da estrada, acenando com uma flor na mão, as crianças nos ombros dos pais, sorrindo e gritando por seu nome.
Em qualquer cidade que chegar será saudada pelos súditos que se curvarão na beira da estrada, acenando com uma flor na mão, as crianças nos ombros dos pais, sorrindo e gritando por seu nome.
Todos
sabem, todos notam a realeza de Ester.
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