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domingo, 28 de outubro de 2012

' Zenete


Zenete vinha do interior, de um interior qualquer perdido no tempo e no mapa. Com uma beleza exagerada de cabelos grandes, boca grande, olhos grandes, cara marcada. Zenete tinha esperança, esperava fazer a vida como mulher importante, mulher estudada, mulher elegante, mulher admirada. Zenete era boba, de uma bobice invejada, acreditava nas palavras, não sabia que palavras ditas são palavras contadas. Mas Zenete era jovem, jovem inteligente, desistiu de ser mulher importante, foi ser mulher mudada. Mudou o interior que tinha, encontrou o que havia perdido, fez de sua vida a marcação do tempo. Pintou os olhos grandes, soltou seus cabelos, pensou coisas importantes, andava em más companhias, admiração não tinha, era invejada. Zenete sofria, agora sofria adulta, sozinha e calada.

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