Zenete vinha do interior, de um interior qualquer perdido no
tempo e no mapa. Com uma beleza exagerada de cabelos grandes, boca grande,
olhos grandes, cara marcada. Zenete tinha esperança, esperava fazer a vida como
mulher importante, mulher estudada, mulher elegante, mulher admirada. Zenete
era boba, de uma bobice invejada, acreditava nas palavras, não sabia que
palavras ditas são palavras contadas. Mas Zenete era jovem, jovem inteligente,
desistiu de ser mulher importante, foi ser mulher mudada. Mudou o interior que
tinha, encontrou o que havia perdido, fez de sua vida a marcação do tempo.
Pintou os olhos grandes, soltou seus cabelos, pensou coisas importantes, andava
em más companhias, admiração não tinha, era invejada. Zenete sofria, agora sofria
adulta, sozinha e calada.

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