Bar, isso, numa mesa de bar. Era tarde com horas lentas
daqueles dias arrastados, estava lá, sentado, charmoso, mal educado, velho,
porco. Entre bebidas, cafés, cigarros e livros, solitário. Você quer saber? Foi
o que de mais bonito vi em minha vida.
Se me atrevi a sentar-me à mesa? Sim.
Fui convidada. Se estive nervosa?! Por favor, fale mais alto, ou melhore o tom
da fala, não consigo te entender. Ah, sim, sim. Não estava nervosa, normalmente
fico em paz quando encontro sombra na escuridão, coisa de poeta, de vagabundo,
coisa minha, de gente cega. Pois não, prosseguirei. Fui admirada por ele.
A
admiração – confesso -, não me deixa envaidecida, seu poder é outro, fico
amedrontada, porque que ali, como posso explicar?! Claro, se estabelece uma
espécie de vínculo entre o admirador e o admirado; sempre tenho a impressão de
que preciso corresponder as expectativas, o que não consigo. Viro estátua, não
faço mais nada. Mas olhe, naquele dia nada disso aconteceu.
Fui sabatinada, foi
bonito, estava livre, era um coração como o meu. Ele chorou, isso me emociona,
ele chorou quando falei de algum Kovisky, penso que
também tenha chorado. Depois ele bebeu, me elogiou e disse que de política não
entendia nada. Eu sorri, abandonei o velho negro no canto, fui embora
desimportante.
Um dia lento, desses que as horas passam arrastadas.
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